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28/agosto/2008 - quinta-feira

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CITROS – Paulo Sader

Alguém pode falar de prazo mais longo?
A tempestade tropical Fay provou que não precisa ser furacão pra ser mau. Os produtores de citros da Flórida, parece, rezaram demais por chuva. Se os ventos não foram suficientes para derrubar muitos frutos da próxima colheita, e menos ainda para arrancar árvores, como ocorre em passagens de furacões, a imersão de laranjeiras num terreno plano e mal drenado, pode ser fonte de transtornos para alguns citricultores.
Para sair do sobe e desce do curtíssimo prazo da ICE Futures, e tentar pensar um pouco mais longamente no tempo, lembramos que uma grande ameaça aos pomares americanos, neste momento, volta a ser o cancro cítrico. Umidade e ventos fortes formam o ambiente ideal para a doença se espalhar e desenvolver.
Se estamos aguardando dados sobre o número de árvores produtivas na Flórida por causa do greening, não poderíamos, logo após a publicação, dar um desconto a mais por causa dos casos de cancro que ocorrerão até o ano que vem?
A mais recente tempestade, Gustav, parece não ameaçar produtores como furacão, mas faz chover em áreas já bem molhadas. As avaliações e expectativas de curto prazo dos investidores fizeram, entretanto, com que os preços do FCOJ para novembro recuassem, ontem, um pouco, ao preço de US$1,124/lb.
O mercado interno não sustentou o movimentozinho extra que ensaiou às vésperas do último post. Já rumamos para o fim do mês e os preços se mantiveram, bem assim o fluxo de laranja que não se alterou.
O recente decreto federal 6514, sobre crimes ambientais, agitou o agronegócio. Preso ao dia a dia dos seus afazeres e sem lideranças legitimadas, as cadeias produtivas só reagem, não conseguem se antecipar e propor alternativas, evitando os problemas. Foi assim, no Estado de SP, ao final do governo Lembo, está sendo assim agora. O ministro, agora, compromete-se a corrigir os excessos do decreto, sob os aplausos dos agricultores.
Os olhos de todos se voltam, no momento, para os desdobramentos da decisão da Justiça do Trabalho de Taquaritinga/SP que, por tutela antecipada, impõe às indústrias de suco a retomada das colheitas interrompidas há semanas atrás em razão da baixa qualidade da fruta para moagem.
Se não causa propriamente inveja, faz pensar, a tranqüilidade com que se busca a harmonia, descrita pelo artigo conjunto no O Estado de São Paulo, 27/08, dos presidentes da ÚNICA e da FERAESP, em que se propõem mecanismos graduais, e fruto do debate leal, para atingir a sustentabilidade econômica, ambiental e social. Buscam melhorar as condições de cada elo do setor e a proteção dos seus flancos do incessante fustigar das batalhas comerciais, por parte dos consumidores e concorrentes estrangeiros. Para o produtor rural, dão regras claras, sem dúbias interpretações, que, assim, serão cumpridas! Antecipam-se à ação dos governos.
Encontrar o nosso caminho é condição de sobrevivência na citricultura. È resistir à tentação de mudar de cultura.

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