18/dezembro/2008 - quinta-feira
A Trégua
Esta é nossa última conversa antes do Natal e Ano Novo.
Lembro que 2008 iniciou-se, para o citricultor, com boas expectativas de preço; foi tumultuado com relação ao clima e no desenrolar da safra; enfrentou o caótico ambiente econômico-financeiro que se deteriorou mês a mês; e termina com preços de mercado em torno de R$9,00/cx de laranja na árvore e a indústria pagando R$7,00 no portão, sem nenhuma vontade de comprar. Descemos por um tobogã no escuro! Quero que acendam as luzes!
No âmbito da Bolsa de Nova Iorque, os preços do suco sobem ou descem na medida em que o dólar se enfraquece ou fortalece. Assim são todas as commodities.
Surgem notícias como a revisão para baixo da safra americana: menos 1 milhão de caixas, totalizando 165 milhões à custa de queda de frutos e algum impacto do greening sobre os pomares de lá. Os prognósticos para o clima na Flórida indicam ondas de frio intenso para os meses de janeiro e fevereiro.
No varejo a Pepsi americana, dona da marca Tropicana, planeja vender, já no início de 2009, um suco de laranja chamado Trop50 que, com a adição de um adoçante natural derivado de stévia, cujo apelo mercadológico é ter cerca de metade das calorias do suco normal da marca.
No Brasil, o Instituto de Economia Agrícola refez as suas previsões para a safra paulista 2008/09. A nova estimativa reduz de 368, em maio, para 360 milhões de caixas a nossa produção. Correção de apenas -2,2%. Ao que parece, ainda muito alta a estimativa.
Já nos preocupa a safra 2009/10. Mais problemas climáticos provocaram o abortamento de grande parte das floradas ocorridas até agora. Não é demais esperar nova quebra de produção aliada a altos custos com sanidade e nutrição de pomares para chegar à próxima colheita.
As notícias não parecem suficientes para indicar melhores preços para a laranja no ano que vem. A soma das safras de Brasil e EUA ainda é alta; os estoques de suco são elevados; estamos e ficaremos ainda sob a sombra da crise que corroeu a renda do consumidor e do produtor. Os preços de insumos demoram a se ajustar à nova realidade do produtor, se é que se ajustarão…precisariam cair mais rapidamente para o novo ponto de equilíbrio em que está a demanda.
Embora não esteja configurado um cenário de grandes perspectivas para o próximo ano, espero não estar saindo do tobogã para a montanha russa ou trem-fantasma.
Mas o momento é de trégua! E quero manifestar meu sincero desejo de que todos possam aproveitar este breve período para recompor e acumular energias! Que sejamos todos felizes e tenhamos paz por alguns dias!
Gostaria de agradecer a companhia de todos vocês que, nestes meses, me honraram com a leitura dos textos e têm envidado esforços para transformar este Agroblog num espaço de debate leal sobre a atividade econômica a que nos dedicamos. Desde já faço a convocação para continuarmos a empreitada durante 2009.
Um Feliz Natal e que a citricultura, não Papai Noel, nos dê um Próspero Ano Novo!
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do código penal. Conheça a Lei 9610.












