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30/novembro/2009 - segunda-feira

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AÇÚCAR – Arnaldo Corrêa

Ávido por notícias

O mercado de açúcar fechou a semana, encurtada pelo feriado de Ação de Graças, com alta média de 6 dólares por tonelada para os vencimentos de março de 2010 até março de 2011. O volume continua baixo, com cerca de 65.000 contratos negociados por dia.

O acumulado da moagem de cana da safra divulgado pela Unica essa semana foi considerado altista, mas apenas por um breve momento. A demanda física na exportação de açúcar permanece devagar quase parando, com os descontos em torno de 90 pontos sem muito entusiasmo. O mercado está ávido por notícias alvissareiras, mas não há nada no horizonte próximo. Parece que o final de ano vai ser antecipado.

O frisson provocado pelo pedido de moratória de 60 bilhões de dólares por parte do conglomerado estatal de Dubai poderia ter sido o assunto da semana, mas também teve vida curta, num pregão que trouxe uma oscilação de 155 pontos, a maior das últimas 5 semanas. De qualquer forma, existe um suporte psicológico no mercado de açúcar em torno de 21 centavos de dólar por libra-peso que atrai os compradores. Assim como demoramos em quebrar a resistência de 19,73 centavos de dólar por libra-peso criada com as altas de 2006, agora o que era resistência virou suporte. Só que as curvas de preços em 2006 e hoje têm uma semelhança, ambas mostram um declínio do preço ao longo do tempo. Mas a de 2009/2010 é mais íngreme. E quanto mais íngreme, maior o tombo.

A volatilidade histórica de 20 dias despencou para abaixo de 30%, demonstrando que o mercado está desinteressante e que os participantes parecem não ter mais preocupações ou dúvidas em relação ao destino do março. Em compensação, a volatilidade implícita que mostra o quanto o mercado percebe o risco subiu para os vencimentos maio e julho de 2010. Vale lembrar também que como os fundos ganharam muito dinheiro com o açúcar que subiu mais de 80% no ano é de se supor que passem no caixa, coloquem a grana no bolso e voem para outras paragens. Em dois meses, o março de 2010 já despencou 57 dólares por tonelada, enquanto o maio caiu quase 50 e o julho 43 dólares por tonelada. As cotações da safra 2011/2012 nesse mesmo período caíram 10 dólares por tonelada na média. Todo esse preâmbulo para dizer o seguinte: não espere por dias melhores do que os que já vimos em termos de preços porque as chances são de que eles não voltem mais.

Um executivo do mercado de álcool pondera em e-mail que “se para o Brasil o principal mercado no açúcar é o externo e no etanol é o interno”, as usinas deveriam “diminuir o mix de cana para açúcar e aumentar para o álcool”, pois assim “se o Brasil exportar 5 em vez de 3 bilhões de litros de álcool, o preço no mercado doméstico ficaria na parte superior da banda de preço local (R$ 800-1100), ou seja, ao redor de R$ 950”. E finaliza, “imagine o efeito de um anúncio que o Brasil vai produzir menos 2 ou 3 milhões de toneladas de açúcar”.

Tenham todos uma excelente semana.

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