29/janeiro/2010 - sexta-feira
Semana de realização de lucros
O mercado viveu uma semana de forte realização de lucros, diante de um cenário de notícias bastante complicado. Porém, a maioria dos analistas não acredita em mudança de tendência, ou seja, ainda continuamos com cenário para mercado em alta. Nos mercados emergentes, verificamos a saída do investidor estrangeiro buscando investimentos de menor risco e aproveitando para “colocar no bolso” parte dos fartos lucros de 2009. No mercado brasileiro, os estrangeiros retiraram mais de 2 bilhões de dólar nesta última semana, e a bolsa caiu em torno de 7%. No ano passado, quando tivemos a aceleração do mercado acionário brasileiro, grande parte foi fruto das compras por parte dos investidores estrangeiros, e neste momento de maior incerteza eles retiram seus capitais para buscar títulos públicos americanos de baixa rentabilidade, mas de maior segurança.
Basicamente três noticias afetaram os mercados acionários em todo o mundo. Primeiro, como comentamos na semana passada, o ataque aos bancos por parte do governo americano. Esta notícia trouxe muitas dúvidas ao mercado, tendo em vista que nenhuma medida foi explicitada até o momento, e o que o mercado mais teme é incerteza e falta de informação. Teremos que aguardar as medidas definitivas do Governo para entender o impacto real nos bancos americanos, que já sofreram fortes vendas por parte dos investidores. Também abre espaço para os bancos europeus e asiáticos e por que não falar dos brasileiros, que parecem neste momento querer colocar as garras de fora e sair as compras de bancos no exterior. Pois com maior controle nos EUA, os concorrentes poderão aumentar seu poder de fogo.
A Grécia continua trazendo muitas dúvidas aos mercados financeiros. Os problemas econômicos do país e a dificuldade de fazer novas captações no mercado internacional vem trazendo calafrios aos investidores globais. Na esteira da Grécia, o mercado começa a temer problemas em outras economias européias, como Portugal, Espanha, Itália e Irlanda. Estes países, que saíram do sufoco quando foram aceitos na comunidade europeia, neste momento clamam por socorro dos demais participantes, tendo em vista que as suas economias vão de mal a pior.
A China, nosso maior parceiro comercial atualmente, também afetou o mercado ensaiando medidas para controlar o ímpeto consumista e acelerado de sua economia. O governo chinês vem adotando medidas para frear o crescimento, reduzindo o crédito e acenando com um possível aumento na taxa de juros, de modo a evitar a geração de uma bolha de consumo. Com isso, as ações das empresas brasileiras, principalmente do setor de commodities minerais, tiveram queda nas cotações. No setor de minério de ferro começam as discussões para a elevação dos preços, que é fechado ano a ano entre fornecedores e compradores em reuniões tensas. Se realmente a China diminuir seu ritmo, teremos uma carta extra na mão dos compradores para evitar fortes elevações no preço do minério.
Bons negócios a todos.
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do código penal. Conheça a Lei 9610.
















