29/março/2011 - terça-feira
Pré USDA. E agora?
O mercado de soja manteve uma postura mais retraída nas últimas sessões, com elevada volatilidade, baixo volume e uma clara tônica de cautela por parte dos agentes. Bom, não é para menos, a poucos dias de relatórios importantes a serem reportados pelo USDA e um mercado externo bastante conturbado.
No quadro macro (confesso, é aonde as maiores preocupações residem) o ambiente é de certo nervosismo. Embora não seja novidade, a incerteza quanto ao impacto das catástrofes naturais sobre a economia japonesa, combinado às instabilidades políticas na África e Oriente Médio e o “retorno” da crise fiscal na periferia da zona do euro, configuram um cenário distante do que possa se considerado confortável a grandes players não comerciais. Além da aversão ao risco, que preocupa pelo elevado saldo comprado ainda presente na mão destes agentes, a própria configuração macro do mercado, com políticas contracionistas ganhando terreno, títulos soberanos melhorando atratividade relativa, moedas fortalecendo-se e setores relativamente “atrasados”, reduzem o ímpeto especulativo ao mercado de commodities agrícolas, ao menos temporariamente, até que não se tenha um novo fator direcionador ligado a choques de oferta ou uma maior aceleração da demanda.
Se não bastasse a menor exuberância especulativa, a soja amargura alguns fatores fundamentais que merecem atenção. Dentre eles, destaca-se a percepção de demanda mais fraca. Além da sazonal migração da demanda global para a América do Sul reflexo da atratividade dos prêmios (embora perdas, a região confirma uma grande safra na temporada 10/11), observa-se queda nas margens de processamento nos EUA, com forte retração da demanda especialmente por farelo. Como resultado, o mercado especula que os estoques finais norte-americanos da temporada 2010/11, embora em níveis ajustados, possam superar as expectativas iniciais. Em função disso, os players estarão atentos aos dados de estoques trimestrais (referentes a 1º de março) a serem reportados na próxima quinta (31/03), para os quais, a expectativa média do mercado é de um posicionamento levemente superior ao registrado no mesmo período do ano passado (de 34,56 para 35,24 mi. tons).
Juntamente aos estoques trimestrais, o USDA publicará o relatório de intenção de plantio para a temporada 2011/12. De fato um dos dados mais aguardados do ano. Para a soja, a expectativa média dos participantes do mercado aponta para leve redução da área a ser cultivada com a oleaginosa em 2011, que passaria de 77,4 para 76,97 mi. acres., uma queda de 0,56%. Mesmo assim, nas últimas semanas, como é característica a previsibilidade limitada do relatório de intenção de plantio, a amplitude das estimativas tem sido bastante expressivas, o que abre espaço para surpresas na próxima quinta-feira, tanto para os ursos quanto para os touros.
Utilizando as estimativas médias do mercado, algumas conclusões são interessantes, veja tabela abaixo:

Vejam que mantive a demanda estagnada em relação ao estimado pelo USDA para a safra 2010/11 atualmente e, mesmo assim, apenas com uma produtividade 1 bu./acre acima do recorde de 2009/10 (44,0 bu./acre) os estoques finais superariam a casa de 200 mi. bushels, um patamar um pouco mais confortável. Mas e a demanda? Estável? Em nossa visão embora o consumo possa sinalizar certa estagnação no curto prazo por fatores pontuais, estes não serão suficientes para ofuscar o efeito de aspectos macro que sustentaram o incrível crescimento da demanda alimentar global nos últimos anos. Aos mais céticos, direciono o simples fato de que os EUA já comercializara 6,281 mi. t. de soja safra 2011/12 ante apenas 1,5 mi. t comercializados no mesmo período do ano passado e, incrivelmente superior a qualquer ano-safra anterior. Não fica difícil imaginar o impacto mercadológico de duas semanas de tempo seco no final de julho sobre o cinturão produtor norte-americano?!
Nos vemos após o relatório.
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do código penal. Conheça a Lei 9610.











