28/setembro/2011 - quarta-feira
Balança, mas não cai
É… parece que aquele último comentário da nossa conversa da semana passada realmente fazia sentido. As escalas levemente encolhidas trouxeram novamente o apetite aos frigoríficos, que toparam pagar mais pela arroba. Quer dizer, também não foi nenhuma explosão, não é? Mas aconteceu uma leve alta de R$1,00/@ para o indicador Cepea/ESALQ à vista.
A fortíssima alta do dólar também corroborou para que o pessoal voltasse a ficar otimista com os embarques de carne bovina no curto-prazo, isso também pode ter ajudado.
E, afinal de contas, o início do mês está aí e a primeira quinzena costuma ser uma boa época para o consumo. Se os estoques enxugarem e as escalas encurtarem mais um pouquinho, poderemos ter preços mais altos nas próximas semanas. É claro que o mercado ainda está murchinho, nada de tenacidade por enquanto, mas já dá pra ver uma luz no fim do túnel.
Lembre-se de que o mercado futuro já precifica uma alta para os próximos três meses, portanto, ainda dá tempo pra usar a BM&F para proteger o seu custo de produção, caso você tenha animais. Fique atento!
Bom, o assunto de hoje também é geral sobre as commodities agrícolas, não somente boi gordo.
A macroeconomia não anda pintando um cenário bonito, como temos conversado. Muitos problemas em economias muito grandes, muita solução de curto-prazo e poucas medidas reais que façam com que esses países retomem os trilhos. Os últimos meses não têm sido fáceis.
A começar pela Europa, com uma dívida gigantesca e com problemas para aprovar e executar planos de austeridade equilibrados, afinal de contas, a diferença entre o remédio e o veneno é a dose. Bem, não tivemos enormes mudanças na última semana em relação a uma solução estrutural para a situação na Europa. Muitas conversas, nada de atitudes robustas por enquanto.
Nos Estados Unidos, a dívida ultrapassou o teto e os índices divulgados dia após dia ainda não mostram uma recuperação próxima. Se o crédito nesses países for definitivamente afetado, certamente seremos atingidos. É claro que no Brasil o impacto seria sentido.
Sofreremos menos do que os países desenvolvidos, é claro. Afinal de contas, a demanda por commodities poderá cair com a desaceleração do crescimento mundial, o que seria prejudicial já que exportamos um volume enorme de commodities. Aliás, são elas que deixam nossa balança comercial positiva. Recentemente o Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para baixo as projeções de crescimento para as economias, inclusive a chinesa, importante combustível da locomotiva mundial.
Bom, além da queda das exportações, também seremos afetados pela menor disponibilidade de crédito no mundo, assim como ocorreu em 2008. Isso afetaria indústrias que precisam desse tipo de capital para manter o ritmo de investimentos.
Mas observe que ninguém vive sem comer. As pessoas param de comprar iPods, roupas, carros, computadores, mas ninguém para de se alimentar. Portanto, os impactos por aqui seriam mais curtos e superficiais do que em economias basicamente manufatureiras e desenvolvidas. E, além disso, ainda temos uma economia aquecida, apesar de o COPOM ter iniciado um possível ciclo de redução de juros.
O mercado sabe disso tudo que comentei anteriormente. E é por isso que as commodities, especialmente as agrícolas, balançam, mas não caem. Milho e soja continuam em patamares elevadíssimos historicamente. Os fundos têm liquidado posições dentro de um cenário de aversão ao risco e maiores chamadas de margem, além de expectativa de crescimento mundial menor, mas as baixas ainda são compradas.
Acontece que com a situação apertada dos estoques de milho nos Estados Unidos desde o início da colheita em 2011, a safra recorde que o mundo esperava não veio. Pelo contrário. Os americanos, maiores produtores e exportadores do produto, sofreram com as temperaturas mais elevadas desde a década de 50 e com o tempo mais seco desde a década de 30. E isso em pleno período mais importante para o desenvolvimento da cultura. Não é por acaso que a produtividade foi extremamente comprometida.
No caso da soja, a situação é menos apertada pensando em estoques. Agosto, importante período de desenvolvimento para as lavouras de soja nos Estados Unidos, não foi tão quente e seco como julho, o que deixou a situação um pouco mais confortável, mas pensando num cenário mais amplo, fica muito difícil pensar que as baixas não serão compradas neste momento. É claro que nos níveis de preços atuais, a China diminuiu um pouco o apetite pelas compras, mas é só o valor baixar que o fluxo entra novamente.
O boi gordo lá fora também tem sofrido, mas devido às intempéries que forçam o descarte de fêmeas, já existe grande preocupação com a oferta de carne para os próximos anos.
E com isso, as commodities agrícolas iniciaram um emocionante rally nos últimos tempos.
Deram excelentes oportunidades aos investidores que encontraram dificuldades em lidar com ações e consolidaram-se como uma excelente alternativa à carteira quando utilizadas com um bom gerenciamento de risco.
E assim deverão continuar, sustentadas nas baixas pela pequena oferta do produto, pelo menos até o próximo relatório do Departamento Norte Americano de Agricultura (USDA), que sairá em outubro e mostrará as últimas e mais importantes informações sobre a evolução da safra norte-americana.
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do código penal. Conheça a Lei 9610.











