26/janeiro/2012 - quinta-feira
Troca melhor, preço pior
Chegamos à segunda semana de janeiro, que é considerada o pior período do ano para a compra de carnes nos supermercados. Já comentamos sobre isso, o consumidor sem caixa e ainda tentando pagar as festas de fim de ano, as diversas contas do período, materiais escolares, presentes e viagens.
De toda forma, isso não dura pra sempre. Historicamente o consumo costuma mostrar ânimo na primeira quinzena de fevereiro, resultado do início do mês (quando o consumidor recebe seu salário), da volta às aulas, que aquece o consumo de proteínas e lácteos, e por causa do carnaval, que tira dias úteis e acaba dificultando um pouco a compra de gado.
Fora isso, temos algo mais pontual chamando a atenção. As escalas de abate. Há quanto tempo não chegavam aos patamares atuais?
Gráfico 1.
Evolução das escalas de abate em Barretos – SP.

Há mais de um ano não víamos situação semelhante. Sei que tem frigorífico grande que consegue comprar melhor, mas os pequenos estão com escalas ainda para dentro deste mês. Será que com a oferta nesses níveis e com o consumo melhor não teremos boas surpresas na próxima semana? É provável.
Olhando um pouco mais adiante para o longo-prazo, a relação de troca tem nos mostrado que está mais fácil comprar bezerro hoje. Aliás, o bezerro está sendo cotado em patamares que não se via desde a metade do ano passado, mostrando que a categoria perdeu um pouco da firmeza neste momento.
Em contrapartida, o boi gordo não tem acompanhado o mesmo movimento. Como comentamos anteriormente, o mercado segue firme neste momento.
Gráfico 2.
Evolução da relação de troca entre o boi gordo e o bezerro de 12 meses.

Quanto mais distante o bezerro estiver da arroba do boi gordo, pior estará a relação, ou seja, menos bezerros é possível comprar com a venda de uma arroba de boi gordo.
O gráfico acima nos traz várias informações interessantes. Em primeiro lugar, estabelecemos uma média histórica mais recente para a relação de troca em 2,17. Ocorre que esse indicador oscila dependendo da fase do ciclo pecuário em vigor.
Portanto, é interessante inserir uma média móvel para avaliar, ou seja, a média leva em consideração não o período todo, mas um período mais curto de tempo. Nesta análise, consideramos a média dos últimos seis meses. Conforme um novo valor se faz conhecido, movemos o período amostrado, fazendo com que a média se “movimente” e considere um período mais recente.
Assim traçamos essas linhas que acompanham o gráfico e nos indicam onde a relação de troca está dentro da normalidade da média recente e onde ela está alta ou baixa demais.
Certo, chega de “conversê”. Historicamente, temos um ágio médio do bezerro em relação ao boi de 9%. Hoje, este ágio está em 2%. O pior momento do ano passado foi maio, quando o boi caiu e o bezerro continuou firme. A relação ficou em 28% de ágio para o bezerro em relação ao boi gordo.
Como podemos observar, os atuais 2,3 de relação não indicam que este seja um mau momento para quem precisa realizar a troca.
O problema é que certamente não sou a única a reparar nessa informação, o que poderá aumentar a oferta de animais gordos nos próximos anos, conforme avança o ciclo pecuário atual – e conforme temos conversado nas últimas colunas.
Afinal de contas, já são seis anos desde o fundo do poço registrado no ciclo anterior.
Gráfico 3. Duração das fases dos ciclos pecuários e média geral, em anos.

Ninguém sabe dizer ao certo quando será a virada do ciclo. Não dá pra adivinhar essas coisas. Além dos preços pecuários, dos investimentos na atividade e do descarte de fêmeas, ele depende também da demanda e da economia. De toda forma, já dá pra enxergar que estamos acima da média dos ciclos anteriores.
Um abração a todos e até a semana que vem!
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do código penal. Conheça a Lei 9610.











