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08/fevereiro/2010 - segunda-feira

Coluna Semanal

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AÇÚCAR – Arnaldo Corrêa

O touro deu uma saidinha…

O mercado de açúcar derreteu nessa semana nada menos que 77 dólares por tonelada no vencimento março de 2010, com o maio experimentando uma queda de 68 dólares por tonelada. Os vencimentos de julho e outubro de 2010 tiveram quedas mais tímidas 25 e 12 dólares por tonelada, respectivamente, enquanto os vencimentos com vista à safra 2011/2012 ficaram praticamente inalterados. A culpa deve ser dos tais algoritmos. Na última sessão da semana mais de 250.000 lotes foram negociados. Coincidentemente a última vez que tivemos um volume assim foi em fevereiro de 2008.

O spread maio/julho que comentamos aqui há duas semanas quando negociou a 370 pontos, derreteu para 115 pontos, ou seja, 56 dólares por tonelada de diferença. Era uma operação de tirar bolacha da boca de neném.

Embora a queda do mercado alivie um pouco o fluxo de caixa daqueles que estão hedgeados, acaba havendo um sentimento por parte dos mais atrasados na fixação, de que perderam o barco. É preocupante. A queda acentuada da curva de preços ocorreu de forma muito rápida, corroborada pela queda global das commodities e das bolsas. O touro saiu para tomar um cafezinho e já volta. Será? Pode ser que ele esteja rumo à Dubai para novas investidas.

O real mais fraco e os preços do açúcar em alta no mercado internacional obrigam a todos a apontar os lápis e fazer conta. Apesar da queda na sexta-feira, se optar por fixar tudo agora para a safra 2010/2011, considerando o dólar a 1,8745, o cupom a 3% para efeito de NDF (contrato a termo de dólar sem entrega de moeda, liquidado financeiramente), um desconto comercial de 25 pontos, a usina vai liquidar o equivalente a R$ 45,57 por saca posto usina contra um custo médio de R$ 23,00 por saca (sem custo financeiro). Onde tem retorno como esse hoje em commodities, por favor?

No início da safra 2009/2010, a previsão da ÚNICA de produção de cana no Centro-Sul era de 556 milhões de toneladas, uma consultoria americana dizia 554, uma trading carioca falava em 540, enquanto o número estimado pela Archer era 549. O número final da ÚNICA – espera-se – deverá ser de 532, ou seja, estaríamos falando de 25 milhões de toneladas de cana em pé? Outra coisa: quem anda por Ribeirão Preto nesses dias fica impressionado com o vigor e a altura da cana. Se tudo for traduzido em produção…

Números preliminares levantados pela Archer Consulting indicam que o setor vai precisar de investimentos estimados em 31,46 bilhões de dólares para os próximos quatro anos para atender à crescente demanda de etanol via carros flex, ao consumo interno e mundial de açúcar e manter uma exportação de até 5 bilhões de litros em 2013/2014. Se essa intenção americana de utilizar o etanol de cana na mistura da gasolina, num movimento crescente de consumo até 2022 de 15 bilhões de litros, o bicho vai pegar. Voltaremos ao assunto com mais detalhes na próxima semana.

Por último, mas não menos importante, a Shell International Petroleum e a Cosan anunciaram na semana passada a assinatura de um memorando não-obrigatório de entendimento (MoU), com a intenção de formar uma joint-venture de cerca de 12 bilhões de dólares no Brasil para a produção de etanol, açúcar e energia, e o fornecimento e distribuição de combustíveis. Se tudo for a contento, esse evento poderá vir a ser o marco divisório do mercado de etanol no mundo e o primeiro passo firme em direção à transformação, enfim, do etanol em commodity. É um longo e tortuoso caminho, mas uma marcha de 10 quilômetros começa com o primeiro passo.

Boa semana para todos.

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1 Comentário para "AÇÚCAR – Arnaldo Corrêa"
antonio rodrigues disse:
08/02/2010

apesar de derreter US$ 77/MT esta semana o açucar promete muito para este ano. vejo com muito bons olhos a aliança da COSAN com a SHELL. realmente um divisor de águas como dizes.
a proposito, corrêa, teu texto está fluido como um samba do noel rosa. espero que tenhamos a felicidade de te ler aqui no agroblog durante este ano de 2010.
saúde e paz para ti,
antonio

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