15/fevereiro/2010 - segunda-feira
Coluna Semanal
Trinta centavos é coisa do passado?
O mercado de açúcar fechou a semana com alta de até 20 dólares por tonelada cotado próximo dos 27 centavos de dólar por libra-peso para o vencimento março de 2010, distante mais de 12% da máxima do mercado. Alguns analistas começam a achar que 30 centavos de dólar por libra-peso virou coisa do passado. O que devemos pensar é como os preços vão se comportar levando-se em consideração que a média de preços – baseada no fechamento de sexta – e o dólar se fortalecendo em relação ao real situa-se em R$ 45,89 por saca posto usina, ou seja, um preço que remunera próximo de 90% sobre o custo de produção? Essa é pergunta de um milhão de dólares.
A queda no consumo interno do etanol por ter esticado demais os preços em relação à gasolina dá uma perspectiva de que ainda mais açúcar será priorizado no inicio de safra 2010/2011 o que coloca em xeque a remuneração vista acima e aciona o gatilho para uma pressão nos spreads maio/julho e julho/outubro que eram negociados a 280 e 200 há um mês atrás e fecharam na sexta passada a 210 e 185. Olhando essa diferença, você acha que a percepção do mercado é mais altista? Não parece ser assim.
No entanto, quem foi à Dubai atender à Conferência de Açúcar voltou mais altista e animado em termos de preço do que antes da viagem. Para exprimir minha opinião sobre o assunto, vou usar uma frase adaptada do excelente livro “O Andar do Bêbado”, de Leonard Mlodinow, Doutor em Física pela Universidade da Califórnia, indicado pelo leitor Bruno, “o modo como enxergamos o mercado [de açúcar] seria muito diferente se todos os nossos julgamentos pudessem ser isolados da expectativa e baseados apenas em informações relevantes”.
Uma coisa parece ter consenso, a safra 2012/2013 poderá ter uma pressão extraordinária nos preços a ponto de transformar o mercado invertido de hoje num mercado de custo e carrego lá adiante. Hora de estender o hedge e pensar nas estratégias de longo prazo. Não dá para ignorar que a média de preços hoje para a safra 2012/2013 encosta no custo de produção de 16,14 centavos de dólar por libra-peso FOB Santos.
Para o mercado interno, é difícil imaginar que ESALQ pode continuar subindo indefinidamente. O modelo da Archer Consulting estima preços de 65, 60 e 55 reais por saca para a ESALQ em março/abril, maio/junho e julho/agosto/setembro respectivamente. Só para lembrar que esse modelo estimou ESALQ em R$ 73,00 para este ano, no inicio de julho passado. Consumidor industrial pode esperar por dias melhores.
Na semana passada mencionamos que pelos dados preliminares levantados pela Archer Consulting o setor vai precisar de investimentos de 31,46 bilhões de dólares para os próximos quatro anos. O número pressupõe a utilização de 41 bilhões de litros de etanol em 2013/2014. Somem-se a esse volume mais 6,5 bilhões de litros para atender a exportação e álcool outros fins. O Brasil deverá ter em 2014 quase 37 milhões de veículos leves e mais de 14 milhões de motocicletas.
A diplomacia brasileira continua com sua política tacanha que acordar cachorro pra lhe morder. Pega muito mal para o Brasil lá fora o fato de Lula passar a mão na cabeça de ditadores de quinta categoria como o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad ou do truanesco presidente da Venezuela, Hugo Chaves. Deve ser algum trauma de infância, a ser explicado pelos freudianos, o que faz Lula ter o prazer de babar ovo em cima desse tipo de gente. O fato é que a tão esperada derrubada por parte dos Estados Unidos da tarifa de 0,54 centavos de dólar por galão no etanol brasileiro, pode ir por água abaixo. O lobby pró-Israel no Congresso americano vai deixar esse assunto em banho-maria se o Brasil insistir em apoiar o governo do lunático Ahmadinejad que, entre tantas sandices, nega o Holocausto.
Bom Carnaval e boa semana para todos.
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do código penal. Conheça a Lei 9610.

















3 Comentários para "AÇÚCAR – Arnaldo Corrêa"
Você saberia dizer por que existem tradings de Dubai que querem comprar açúcar do Brasil utilizando-se de buyers de outros países da América Latina e não fazem propostas diretas às exportadoras brasileiras? Que mecanismo rege estes pedidos? Voce faz ideia do por que?
Como na Arábia Saudita / Dubai o príncipe tem milhares de amigos e todos querem receber alguma migalha que cai no chão, ele “distribui” essas ofertas de compra para o mundo árabe na esperança que algum insano irá aceitá-la. Com isso ele se livra dos parentes que querem ganhar alguma coisa dando-lhes uma tarefa impossível. E inunda o mundo com ofertas impraticáveis.
Como transformar libra-peso centavos de dólar…para saca de 50 kg real
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