Pasturas Beef

30/junho/2011 - quinta-feira

Coluna Semanal

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BOI GORDO – Lygia Pimentel

Expectativas para o segundo semestre

Após dia de frio intenso, a oferta de animais na tarde de ontem aumentou ligeiramente, mas não o suficiente para emplacar uma pressão baixista, como alguns esperavam.

As escalas alongaram-se um pouco em São Paulo para os frigoríficos de maior porte, mas apenas o suficiente para iniciar a semana que vem. Para os pequenos, a urgência de comprar animais permanece, com escalas de 1 a 2 dias.

Os preços, entretanto, permanecem os mesmos. Por enquanto ainda sem força suficiente para alterações positivas, com exceção de Minas Gerais e do Tocantins, onde houve reações hoje e ontem, respectivamente. Nessas praças a urgência de compra é maior.

É, fica claro que a entressafra chegou e traz definitivamente as atenções para a oferta no segundo semestre, traduzida também pelo volume do confinamento 2011 e a demanda, basicamente.

Entrevista do portal BeefPoint, com o pessoal da Assocon, mostra que o volume adquirido de gado magro no primeiro semestre de 2011 é similar ao volume de 2010. Para recordar, o resultado da primeira pesquisa de intenção, que foi realizada em março, foi de aumento de 31%.

Pode isso? Claro, só poderia! A pesquisa de intenção foi realizada antes de o preço do boi cair, ou seja, antes de entrarmos no coração da safra de animais. Como o preço do boi caiu e os custos continuaram em alta, as intenções mudam.

Certo, no ano passado tivemos queda forte no número de animais confinados e é possível que neste ano o aumento não supere o desfalque de 2010. Isso significa que o boi voltará aos patamares do ano passado? Não acho impossível, mas também não sou vidente para ter certeza. E acredite, ninguém é!

Bom, ok. A oferta de animais disponíveis para o abate nesta entressafra não será abundante, ao que nos parece. Isso pode mudar conforme o mercado evolui, por isso é importante atualizar as projeções e pesquisas.

Mas, enfim, voltemos ao pensamento lógico: para os preços caminharem, precisamos analisar duas variáveis, que são a oferta e a demanda. Se a oferta aparenta ser curta, como poderá ficar a demanda?

Bem, a demanda me parece bastante tímida. A representatividade do complexo carnes, dentro da cesta básica, trabalha próxima dos valores históricos mais altos, o que não ajuda. Como gastar mais com carne bovina se já estou gastando bem mais do que costumava?

O frango, principal concorrente da carne bovina, até desanima! Estão inundando o mercado com o nosso amigo penoso. E as exportações? Bom, por enquanto elas continuam patinando, mas ainda acredito que a demanda mundial continue a crescer, apesar de medidas contracionistas por parte dos emergentes. O ritmo reduz, mas ainda assim o saldo é positivo.

Desta forma, tudo leva a crer que o mercado subirá na entressafra e não decepcionará quem conhece a história do boi gordo. Ou seja, aqueles que nutrem alguma expectativa com base no comportamento sazonal do mercado.

Mesmo assim, os preços do ano passado têm boas chances de não se repetirem por falta da centelha do consumo, que é o que acenderia a chama de novas máximas.

Nos próximos meses continuaremos revisando a análise para alinharmos estas expectativas com os novos fatos.

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3 Comentários para "BOI GORDO – Lygia Pimentel"
ludovico antonio merighi disse:
30/06/2011
Se v. tivesse boi de 16 @ e pasto, faria confinamento agora, venderia plantel ou continuaria a pasto?
Lygia Pimentel disse:
01/07/2011
Bom dia, senhor Ludovico!

Veja bem, para tomar a decisão, é necessário observar o custo no confinamento e no pasto e ter os valores na ponta do lápis.

Considerando-se um custo de R$72,00/@ no pasto para obter um animal de 16@ e um custo de R$100,00/@ para cada arroba no confinamento para vender o animal com 21@, o custo por @ seria de R$79,00/@, aproximadamente. Considerando-se que o mercado futuro hoje paga R$103,00/@ e que o senhor travasse a produção, o lucro seria de R$24,00/@ ou R$511,00/animal.

A não ser que o cenário climático fosse diferente e os pastos estivessem em boas condições nutricionais, o animal poderia ser terminado por um custo menor sem o confinamento, mas nas condições atuais da nossa entressafra, mesmo em pastos vedados fica difícil obter um ganho de peso diário eficiente e o custo da manutenção do animal x tempo que ele permanecerá na propriedade muitas vezes pode piorar o resultado.

Se os seus custos superarem o preço pago pelo mercado futuro, sugiro que comercialize a produção agora. Por isso, reforço que tudo depende das suas próprias informações internas para essa decisão. Não há uma receita padrão.

Espero ter ajudado.

Grande abraço,

Lygia

ludovico antonio merighi disse:
01/07/2011
Obrigado pela sua presteza na resposta e desejo-lhe bom final de semana.
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