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28/fevereiro/2011 - segunda-feira

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BORRACHA NATURAL – Heiko Rossmann

Borracha brasileira ruma para novo recorde

Após o recorde de importação de borracha natural em 2010, da ordem de US$ 790 milhões, registramos um outro recorde histórico – o maior preço. A escalada das cotações no mercado internacional conduziu a borracha natural brasileira a um novo patamar de preços, superando a marca de R$ 9 por quilo.

O Granulado Escuro Brasileiro (GEB-1) alcançou R$ 9,29 por quilo no bimestre fevereiro-março, um aumento de 22,7% em relação ao bimestre anterior, quando o produto foi comercializado a R$ 7,57 por quilo. O GEB-1 é o principal produto entregue pelas usinas de beneficiamento para a indústria consumidora nacional.

A elevação dos preços do GEB-1 conduz ao aumento dos preços praticados no campo. Em fevereiro, espera-se que o preço médio do coágulo (látex coagulado) tenha uma elevação de pelo menos 11,5%, para R$ 3,60 por quilo. De acordo com o Instituto de Economia Agrícola (IEA), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) do Governo do Estado de São Paulo, o coágulo foi comercializado em janeiro a R$ 3,23 por quilo, em média.

O produtor está contente, mas não deve esquecer de aproveitar o período de preços bons para colocar a casa em ordem, buscando corrigir eventuais problemas, sejam técnicos ou de gestão, visando aumentar a produtividade e reduzir os custos de produção.

O mercado internacional seguiu em alta nas últimas semanas e os cálculos indicam que o preço da borracha brasileira deve ultrapassar o valor de R$ 10,40 por quilo para o período abril-maio. Observou-se uma ligeira queda das cotações na Bolsa de Cingapura na semana de 21 a 25 de fevereiro, mas ainda não é suficiente para sugerir que o preço não alcance dois dígitos.

A depender dos fatos que vem ocorrendo no norte da África e as preocupações sobre o abastecimento de petróleo devido ao Canal de Suez – principal passagem para a produção do Oriente Médio -, no Egito, os preços das commodity deve seguir elevados. Tunísia, Egito e, agora, Líbia. A oposição tomou Zawiya, terceira maior cidade líbia, e formou um governo de transição neste domingo (27/02). Muammar Kadafi não tem outra saída, a não ser deixar o poder. A queda destes regimes ditatoriais deve promover grandes mudanças na economia da região.

O mercado internacional da borracha natural segue firme, sujeito às interferências do balanço entre a oferta e a demanda, do mercado do petróleo e, agora, da instabilidade política no norte da África. No Brasil, a oferta muito inferior à necessidade da indústria consumidora também tem causado distúrbios, levando a uma acirrada disputa pela matéria-prima no campo, inflacionando mais uma vez os preços pagos ao produtor, assim como ocorreu no ano passado.

Apesar dos percalços, as perspectivas futuras mostram um setor com o desafio de suprir um déficit anunciado, que no Brasil deve ser da ordem de 400 mil toneladas em 2020. Considerando o preço médio de importação em janeiro de 2011, tem-se que o país pode gastar cerca de US$ 2,17 bilhões com as importações do elastômero naquele ano. Curiosamente, este é o mesmo montante necessário para expandir a área plantada com seringueira a fim de se atender à demanda projetada. No entanto, ao se investir na heveicultura, estima-se a criação de pelo menos 38 mil postos de trabalho no campo e a remoção de 57,5 milhões de toneladas de CO2e da atmosfera, gerando benefícios econômicos, sociais e ambientais para os brasileiros. Deve-se refletir sobre isso.

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5 Comentários para "BORRACHA NATURAL – Heiko Rossmann"
Renato Ferrari disse:
05/03/2011
Bom dia, Caro Heiko

Acredito que o preço da borracha ainda vai subir muito, pois as chuvas deste ano estão atrapalhando muito a produção, no mês de janeiro foram 15 dias perdidos já considerando as reposições, no mês de fevereiro 6 dias também considerando as reposiçôes e no mês de março estamos a uma semana parados, ou seja, até o momento nenhuma produção e pela meteorologia ficaremos pelo menos mais 5 dias parados o que com certeza afetará a produtividade para os próximos meses. Com a falta de borracha no mercado internacional e a nescessidade de importação de borracha pelo brasil para atender a demanda, a borracha deverá ser disputada a preço de ouro pelas usinas. Bom para o Produtor! Não sei, pois quem trabalha com salário fixo dos sagradores as despesas continuam e sem receita, para o sistema de parceria os sangradores começam a fazer dívidas criando atritos familiares e de trabalho. Acho que mesmo que os preços aumentem não cobrirão os prejuizos já realizados. Vejo grandes problemas pela frente tanto para sangradores, produtores, usina binificiadoras, pneumáticas e consumidor final.

Grande Abraço
Renato

Luiz Fernando Custódio disse:
09/03/2011
Acredito que mais do que as condições climáticas, as leis de mercado (oferta e demanda) é que estão ditando os preços atuais e futuros. Não podemos esquecer de que a China já figura como 3º maior fabricante de automóveis do mundo, superando inclusive a Alemanha(que teve forte retração com a crise de 2008). As aquisições chinesas de borracha natural não vão parar, pois para cumprimento das metas de produção no setor automotivo, a China quer reduzir a dependência de importação de pneus.
No Brasil produtos à base de borracha natural como as luvas de latex já tiveram suas alíquotas de importação majoradas de 16% para 35% a partir deste mês, que de acordo com o governo seria para criar estímulo à implantação de novas indústrias, mas que também protege a indústria nacional, que hoje não abastece mais do que 1% ou 2% do mercado consumidor com estes produtos. As borrachas sintéticas, assim, promoverão uma mudança de hábitos de consumo, como já ocorre em outros países.
Abraços
Roberval disse:
20/03/2011
Heiko, acabei de ler que o governo da Malasia suspendeu temporariamente a exportacao de borracha natural devido a crise no Japao. Na sua opiniao qual sera o impacto no mercado brasileiro? Mais altas? Abraco.
Heiko Rossmann disse:
21/03/2011
O principal objetivo da medida é provocar uma elevação dos preços internacionais, depois de uma baixa causada pelo terremoto no Japão – como você colocou – e pela redução da demanda chinesa. Tailândia e Indonésia estão de acordo. A medida poderá sim influenciar os preços no Brasil. Porém, não acredito em impacto significativo no preço para o próximo bimestre, salvo se houver uma alta recorde durante esta semana, de 21 a 25/3.
Tony John disse:
02/05/2011
Da uma olhada na demanda de borracha
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