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31/janeiro/2011 - segunda-feira

Coluna Mensal

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BORRACHA NATURAL – Heiko Rossmann

Brasil bate recorde de importação de borracha

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) divulgou recentemente os resultados da balança comercial do agronegócio brasileiro para 2010 e, sem nenhuma surpresa, o Brasil bate novo recorde de importação de borracha natural, atingindo a marca de US$ 790,4 milhões (260,8 mil toneladas) – um recorde pelo qual não devemos nos orgulhar -, contra US$ 283 milhões (161,3 mil toneladas) no ano anterior; aumento de 179,3%.

Como 2009 foi um ano atípico, com diversos setores prejudicados pela crise financeira internacional, a comparação com 2008 parece ser mais coerente. Assim fazendo, se observa que as importações foram 18,6% superiores em valor (e 7,0% em volume) no ano passado. Se por um lado os números prejudicam o saldo da balança comercial, por outro indica que a indústria brasileira está a todo vapor.

A análise da balança comercial do agronegócio brasileiro permite observar que o item papel e celulose ocupa a primeira posição do ranking de importação, com US$ 1,899 bilhão e crescimento de 41,8% na comparação com 2009, seguido do trigo, com US$ 1,528 bilhão e aumento de 26,4%. A borracha natural se manteve na terceira colocação.

O déficit do elastômero natural tem aumentado a cada ano. Em 2010, estima-se que a produção nacional atinja a marca de 131,9 mil toneladas, frente a um consumo de 385,3 mil toneladas. A oferta doméstica atende cerca de um terço da necessidade da indústria, situação esta que perdura a mais de uma década.

As projeções de consumo apontam para uma demanda da ordem de 627 mil toneladas em 2020, enquanto a produção nacional deve alcançar 221 mil toneladas. O déficit representa um dispêndio com importação da ordem de US$ 1,230 bilhão naquele ano, considerando o preço médio de importação em 2010. Contudo, se for usado o preço médio de 1o a 28 de janeiro deste ano, de US$ 5.329 por tonelada, o valor estimado passa a ser de US$ 2,163 bilhões.

Considerando a produtividade média no Estado de São Paulo, de 1.600 kg/ha.ano (base seca), a autossuficiência poderia ser alcançada em 2020 se fossem plantados hoje mais 230 mil hectares de seringueira, o que requer um investimento estimado em R$ 3,450 bilhões (US$ 2,055 bilhões). A nova área representaria também a geração de pelo menos 38 mil empregos do campo e a remoção de 57,5 milhões de toneladas de CO2e da atmosfera.

Os números apresentados acima podem servir de argumento para justificar a criação de um grande programa de fomento (ou de incentivo) para o desenvolvimento da heveicultura brasileira. O Brasil possui uma vastidão de áreas aptas ao cultivo da seringueira, espécie que pode inclusive ser usada em projetos de recomposição de área de reserva legal nas propriedades rurais dos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Espírito Santo. [um estudo da Universidade de São Paulo (USP) em Piracicaba aponta que o déficit ambiental brasileiro soma 43 milhões de hectares de reservas legais não instituídas]

Talvez mais importante seja o fato de a borracha natural ser matéria-prima na fabricação dos pneus que equipam os caminhões que transportam a produção agrícola e industrial brasileira para os portos e grandes centros de consumo.

Mudanças estão acontecendo, ainda que em ritmo lento. A Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Borracha Natural (CSBN), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), tem desempenhado papel importante nos últimos anos para a estruturação do setor. No momento, a atenção está voltada para a adequação e operacionalização das linhas de crédito disponíveis, dentre elas o recém-lançado Programa Agricultura de Baixo Carbono, ou Programa ABC.

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6 Comentários para "BORRACHA NATURAL – Heiko Rossmann"
Affonso A. Ribeiro disse:
02/02/2011
Tenho propriedade em uma região com caracteristica para o cultivo de seringueira com boa logistica. Gostaria de fazer parceria.
Eduardo Caminero Gomes disse:
04/02/2011
Heiko, parabéns pelo texto realmente a seringa tem um longo caminho a percorrer uma luta que é histórica e a expansâo da cultura vem ocorrendo apesar da falta de incentivo, ate recentemente. O único fator que me preocupa na cultura da seringueira é a questão da mão-de-obra, apesar de não demandar grandes quantidades por área ela deve ser especializada e dependendo o local, a concorrencia com outras lavouras ou industrias pode comprometer um empreendimento em heveícultura. Para enfrentar a questão da mão-de-obra, a valorização do sangrador será de fundamental importancia para a sustentabilidade do setor. Para tanto é necessário que os preços da borracha natural tenha um valor elevado e justo, o preço que está sendo praticado em fevereiro ja mostra uma bela recuperação mas que deve ser ainda melhorado para enfrentarmos os desafios atuais e futuros da borracha natural, procurando melhor justiça social e a sustentabilidade do setor.
Heiko Rossmann disse:
05/02/2011
Prezado Eduardo,
Sim, a questão da mão de obra também me preocupa bastante. Receio que sentiremos o problema de forma mais intensa a partir de 2012, quando entram em produção as novas áreas, daqueles plantios que se iniciaram em 2005.
Concordo que a valorização do sangrador é o caminho, passando pela capacitação profissional e reconhecimento deste trabalhador diferenciado no mercado. Imagine o dia em que você poderá contratar um sangrador e ter a certeza de que se trata de um profissional qualificado, preparado para atingir alta produtividade sem prejudicar a longevidade da plantação.
Andréa disse:
04/05/2011
Boa tarde, sou Universitária e estou elaborando um trabalho sobre a borracha (látex), preciso de algumas informações sobre as políticas fiscal, monetaria, cambial e comercial, teria algum artigo seu onde teria algum resumo destes assuntos? obrigada
Heiko Rossmann disse:
13/05/2011
Desculpe-me, Andréa, mas não tenho nenhum artigo sobre o tema, e desconheço qualquer artigo que trate sobre tais assuntos. Sugiro iniciar a pesquisa junto à Secretaria Estadual da Fazenda (http://www.fazenda.sp.gov.br).
Aldomar Ferreira disse:
16/08/2011
Temos uma micro empresa de reflorestamento plantamos, todas especies mudas. Porem o maior foco é a seringueira,Tenho certesa que num futuro, a nossa borracha natural, terá o seu lugar tenente como no passado, com as mudanças do clima, os seringais, de outros continentes não suportará tais modificações, e suas produções se reduzindo. A nossa recuperamdo o seu lugar do passado.
Quanto os altos e baixos dos preços, é parte do comercio globalizado de hoje. Os nossos produtores de borracha, so precisa se organizar e planejarem, como
segurar seus produtos (a borracha) e vende-los quando os preços forem bom, pois o látex tem condições de estocagem, para ser vendido com a melhor oferta.
Uma sugestão, todos produtores rurais, procurem implantar em suas reservas legais uns 40% de seringueiras, pois é permitido esta introdução, e todos obterá uma certa
rentabilidade, numa terra sem produção com a implantação os Srs produtores rurais ficará com reserva legal e produtiva.
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