12/agosto/2011 - sexta-feira
Coluna Mensal
Prenúncio de tsunami
As últimas semanas foram marcadas pelo nervosismo do mercado financeiro internacional, mas é preciso evitar o pânico. A última crise internacional alcançou o Brasil, mas com força menor e a economia se recuperou rapidamente. Os efeitos foram danosos, sem dúvida, mas serviu para mostrar que a economia brasileira está em boa fase. Diante do prenúncio de tsunami, toda atenção se faz necessária.
A maior preocupação hoje é o risco de queda dos preços das commodities agrícolas, incluindo a borracha natural, que afetaria a rentabilidade dos produtores. Também existe grande preocupação quanto à redução das exportações, pela retração do consumo nos principais mercados e/ou pela desvantagem cambial resultante da forte valorização do real frente ao dólar estadunidense, que afetaria diretamente a demanda interna por matéria-prima.
A redução do nível de desemprego nos Estados Unidos, o problema da dívida em países da zona do euro, a pressão inflacionária na China, a valorização das moedas asiáticas e o aumento das cotações do petróleo têm sustentado as cotações da borracha natural nas principais bolsas de borracha. A exceção é a bolsa de futuros de Shanghai, na China, onde as cotações se mostraram com tendência baixista nos primeiros dias de agosto, devido à pouca procura pela matéria-prima.
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, enfrenta uma fase bastante sensível do seu mandato, que pode comprometer a chance (se é que ainda existe alguma) de reeleição no próximo ano. Em meio à crise econômica, com o nível de aprovação do seu governo cada vez menor, tem buscado fundos para a campanha eleitoral e criticado as lideranças políticas em seu país.
A China se mostra preocupada com a reação dos Estados Unidos, disparando fortes críticas às medidas adotadas pelo governo de Obama e o atraso para solucionar o problema. A China é o maior detentor mundial de papéis da dívida estadunidense, estimado em cerca de 1,16 trilhão de dólares em bônus do Tesouro americano em maio de 2011.
Além da interferência da economia global no mercado de commodities, a borracha natural ainda sofre pressão do balanço oferta-demanda. A Tailândia passa agora por um período de seca, depois de excesso de chuvas no princípio do ano, o que provoca a redução do volume disponível para exportação, impulsionando os preços para cima.
Os produtores brasileiros comemoram a tendência de alta observada nas principais bolsas que operam contratos de borracha natural. Em Cingapura, referência para a borracha brasileira, as cotações voltaram a subir e alcançaram US$ 4.740 por tonelada no primeiro dia de agosto. O aumento, se persistir, deverá refletir am alta a partir de outubro no Brasil.
O preço do Granulado Escuro Brasileiro tipo 1 (GEB-1) para o bimestre agosto-setembro registrou queda de 6,5%, para R$ 8,06 por quilo, contra R$ 8,62 por quilo no período anterior. A redução de 5,1% na cotação média da borracha na Bolsa de Cingapura, somada à valorização cambial de 1,6% do real frente ao dólar, resultou no menor preço do produto brasileiro.
Apesar da redução também neste bimestre – é a segunda queda este ano -, os preços ainda são os mais altos das últimas três décadas. O segmento produtor comemora, e agora observa a evolução dos preços com certa apreensão.
O reflexo esperado no campo é a redução dos preços recebidos pelos heveicultores. No entanto, como a oferta de coágulo é restrita nesta época de entressafra, o produto deve se manter sobrevalorizado.
As perspectivas são de sustentação dos preços internacionais no patamar atual, o que contribuiria para aumento dos preços no Brasil, diante da esperada retomada das compras chinesas.
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do código penal. Conheça a Lei 9610.














11 Comentários para "BORRACHA NATURAL – Heiko Rossmann"
Estamos na metade do mês de Outubro (quase 3 meses do término da safra) e até agora nada de movimentação no setor da borracha natural, parece que tudo está parado mesmo, preço, produção e expectativa. Na tailândia a produção está menor para garantir preço internacional e no Brasil não surgiu nenhuma espectativa sobre preço ainda, situação bem diferente da safra anterior. Acho que o Tsunami não é só prenúncio.
Tenhamos fé
Até quando teremos que esperar novo artigo seu?
Aberides
A safra começou mal. A região noroeste do Estado de São Paulo, região de São José do Rio Preto, sofre com a falta de chuvas na grande maioria das cidades o que tem compremetido significativamente a produção de borracha. No mês de outubro teve uma queda em torno de 80% e o mês de novembro começa com uma queda de 60% apesar das chuvas (poucas). Os preço estão em queda também de R$4,00 fim da safra passada para R$ 3,50 (média preço mínimo) começo desta safra. Caso não acha mundaças podemos prever pelo início de safra que a renda na seringueira nesta safra vai baixa.
Abraços
É mais uma vez o clima consegui para o mercado de borracha natural. Desde de o ínicio do ano 2012 até agora o mercado não definiu o preço do GEB-1, pelo menos eu não encontrei referência, e estamos aqui produzindo, entregando sem referência de preço para poder negociar o produto. Com sempre disse, é um investimento de longo prazo e tão, ou mais, arriscado que a bolsa de valores. Para quem está no negócio, só resta continuar e acreditar que está recebendo o preço justo pelo produto. Está faltando apoio de um sindicato para os produtores.
Abraços a todos
Renato Ferrari
O preço do GEB-1 para janeiro é R$ 7,59/kg. Você pode acompanhar pelo site da Apabor (apabor.org.br) ou pelo site do Borracha Natural Brasileira (borrachanatural.agr.br, em “Cotações”).
Os preços do coágulo tiveram queda em dezembro e janeiro, e apontam nova queda para fevereiro. O problema é o produtor aceitar isso, depois de meses com preços elevados.
Preciso voltar a escrever para o Agroblog!
Um abraço,
Heiko
uma rede de informação, talvez de negociação em grupo. SOzinhos ficaremos sempre a reboque das informações dos usineiro e os nossos amigos atravessadores.
A princípio seria meio complicada esta união, mas com o tempo, iríamos formatando um rumo, uma diretriz mais unido e mais bem informados.
Proponho a quem tiver esta capacidade que pelO menos tente.
Caro Heiko,
A questão não é aceitar ou não aceitar os preços, a questão são os argumentos. Na safra passada realmente os preços ficaram acima das expectativas até dos produtores, porém não são os produtores quem define os preços e sim as usinas, se teve aumento é porque o mercado estava comprador, são as regras do mercado.
Nesta safra temos um cenário com condições mais favoráveis para preço alto como: Aumento nas vendas de carros principal consumidor de borracha natural, tivemos aumento do dólar que define o preço da borracha importada, podemos ter aumento do petróleo devido à crise entre Irã e USA que define o preço da borracha sintética e temos a velha e sabida propaganda para o plantio de seringueira de que o Brasil importa 70% da borracha consumida.
Quanto ao cenário da produção nacional temos um começo de safra com estiagem (principalmente na região de Rio Preto a maior produtora do Brasil) gerando uma queda entorno de 20% da produção e agora o início da águas o que é bom para armazenagem hídrica para meses futuros, porém dificulta o trabalho atual baixando a produtividade.
Se olharmos estes cenários não dá para entender estar falando em queda de preços. Não estou falando também em alta, eu me referi que o mercado está parado sem indicadores de preço e que o bom seria termos uma estabilidade dos preços num patamar dentro da realidade, porém com um bons argumentos.
Acredito que a questão de preços imposta pelas usinas é igual ao das leis brasileiras, se pegar fica, ou seja, vamos abaixar o preço se ninguém reclamar fica como está.
Agora se a desculpa for o preço da borracha importada então vamos taxar com impostos a importação de tal modo que o preço fique equivalente ao preço nacional, com fez a presidente Dilma com os carros importados. Aliás, como a presidente Dilma mesmo disse a crise internacional não deve intervir significativamente na econômica brasileira, cabe a nós produtores não aceitar estes argumentos para o bem da econômia brasileira.
Renato Ferrari
Nova alta está prevista para o próximo reajuste no preço da borracha.
A Bridgestone Corp, maior fabricante mundial de pneus, disse na quinta-feira que espera um aumento de 5,3% na produção de pneus para 2012 e General Motors Corp, a maior montadora do mundo, espera um aumento nas vendas de 2012 em relação ao início 2011, de US $ 150 milhões.
O acordo para a solução da crise na Grécia foi bem aceito pelo mercado sendo que a bolsa de NY teve o maior índicie de pontos (13.000)desde da crise de 2008, além de altas também na bolsa da China e Asia.
O Brent (petróleo) se mantém desde início da semana acima de US $ 120.
A safra paulista passa por uma estiagem que está afetando a produtividade com percas de até 20%.
Temos assim um cenário de grande alta no preço da borracha para o próximo reajuste.
Abraços a Todos
por gentileza, ouço falar de uma suposta crise da borracha para os meados de 2014 a 2020 na Asia, cuja crise poderá ser benéfica aos produtores do Brasil, até onde isso é verdade ? e sobre a importação de 70 % da borracha pelo Brasil é verdade ou especulacação ? atualmente existe mercado promissor para produtores da borracha ?
Cordialmente
Valdir Lopes
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