31/maio/2011 - terça-feira
Coluna Mensal
Queda de preço não gera preocupação
Após meses de altas sucessivas, com interferências como o terremoto no Japão e ajustes na política cambial da China, o preço da borracha natural sofre retração no mercado internacional e resulta em queda de 11,2% no bimestre junho-julho no Brasil, para R$ 8,62 por quilo de Granulado Escuro Brasileiro (GEB-1), ante R$ 9,71 por quilo no bimestre anterior. A redução não trouxe preocupação ao segmento produtor da commodity, uma vez que os preços garantem boa renda ao agricultor e ao sangrador, e sustentam a excelente rentabilidade da cultura.
Economistas afirmam que se trata apenas de um ajustamento no preço, resultado de um desaquecimento da indústria consumidora chinesa – forçado pelo governo central do país que luta para conter a inflação – e pela redução das chuvas que atingiram as principais regiões produtoras do sudeste asiático nos primeiros meses do ano.
De fato, observou-se o estacionamento dos preços nas últimas semanas em Cingapura, mercado de referência para a formação do preço da borracha brasileira. A partir do dia 16 de maio, os contratos futuros de borracha natural da Singapore Commodity Exchange (Sicom) foram transferidos para a Singapore Exchange (SGX), que passa a ser a bolsa de referência a partir de agora. A mudança não prejudica o mercado nacional.
A redução do preço do produto beneficiado, vendido principalmente para as fabricantes de pneus, acaba por refletir em redução do preço recebido pelo heveicultor. No entanto, o preço pago ao produtor deve girar ao redor de R$ 3,29 por quilo de coágulo (com teor de borracha seca de 53%), representando uma redução de 15,6% em relação ao mês anterior, de R$ 3,90 por quilo (preço estimado).
Se de um lado o preço registrou queda, de outro a produção no campo e nas usinas de beneficiamento andam a todo vapor. As chuvas no início do ano, que atrapalharam a atividade de sangria e causaram quebra da produção, fizeram aumentar a reserva de água no solo. Com o clima seco e temperaturas mais amenas, o interior paulista vive o pico de safra, período que se estende de março a junho – metade da produção anual se concentra nestes quatro meses do ano.
A maior produção neste período e a demanda aquecida pela matéria-prima no mercado doméstico trazem tranquilidade ao heveicultor.
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34 Comentários para "BORRACHA NATURAL – Heiko Rossmann"
No entanto, o preço nominal de R$0,50/kg de coágulo pode induzir a uma conclusão tendenciosa sobre os preços recebidos pelo produtor.
A fim de facilitar a comparação, utilizei como exemplo o preço nominal em abr/99, de R$0,61/kg. Calculando o preço deflacionado (IGP-DI) em abr/11, tem-se R$1,76/kg, valor este superior ao Preço Mínimo fixado pelo governo federal para a borracha natural, de R$1,53/kg, que, segundo a Conab, cobre o custo de produção na heveicultura.
Obviamente, R$1,76/kg de coágulo é bem inferior ao preço médio atual, de R$3,97/kg. Isso é indiscutível.
Devo ressaltar que o mercado tem hoje uma metodologia bem definida e transparente para se calcular o preço do GEB-1, seguindo a premissa de que a borracha brasileira deve ter preço equivalente ao produto importado. Penso que antes de propor uma mudança na formação de preço, necessariamente é preciso aumentar a oferta do produto nacional, além de melhorar a qualidade da matéria-prima que sai da fazenda para a usina.
Importante também é destacar o aumento da participação do produtor no preço recebido pelas usinas de beneficiamento. A participação em abr/00 foi de 65,1%, enquanto que em abr/11 atingiu 77,1%. Creio que concordaremos que o aumento é resultado da disputa pela matéria-prima no campo. Por outro lado, começa a fazer parte do senso comum que um nível de participação da ordem de 70% é bom para o segmento produtor, remunerando bem o heveicultor e garantindo boa margem para a usina.
O Brasil fechou este mês com quase 300 mil carros vendidos, o 1ºsemestre deve chegar a quase 1,5 milhões de carros e projeta-se 4 milhões até o final de 2011, um novo recorde, ou seja,quase 20 milhões de pneus novos, fora os pneus de reposição. A petrobrás está construindo duas novas unidade para extração apartir da nafta de matéria prima para a fabricação da borracha sintética, ou seja, hoje o Brasil também não é totalmente sufuciente na produção de borracha sintética. O dolar não teve uma queda tão signatica (1,70 – 1,58)e o petróleo também não teve uma queda expressiva para justificar uma queda tão grande no preço pago ao produtor pela borracha natural este mês. Eu não consigo entender essa matemática,já que o Brasil importa quase 65% da sua nescessidade de borracha. A conclusão é que quem dita o preço da borracha interna é o mercado internacional e o produtor brasileiro está na mãos do mercado internacional mesmo produzindo para atender ao mercado interno. Como a seringueira é um investimento de alto risco já que o retorno do investimento é de 10 a 12 anos se faz necessário uma politica de preços mínimos para proteger o produtor e não dizer que a queda de preço não gera preocupação.
Renato Ferrari
As últimas previsões da ANRPC (Associação dos Países Produtores de Borracha Natural) para a produção global de borracha natural em 2011, com dados, divulgados na semana passada, indicam uma revisão (para baixo) na estimativa de crescimento da produção da borracha mundial neste ano.
Por isso eu não consigo entender uma queda tão acentuada no preço da borracha paga ao produtor brasileiro este mês.
Um abraço
Geraldo Julio
O preço de R$ 3,97 é referente ao mês de Maio, e você pode perceber que a APABOR e outros sites também não divulgam o preço dos mês de referência, ou seja, o preço a ser pago, somente o preço do mês já pago.
Isto se deve ao fato de que primeiro as Usinas beneficiadoras têm que entrar em acordo em relação aos preços a serem pagos aos produtores e da margem da varição entre elas e somente depois divulgar.
Como o preço é bimestral, ou seja, mesmo preço em dois meses seguidos o preço só é divulgado a partir do dia 20, só que neste perído entregas de borrachas já foram feita e o produtor fica perdido sem referência. O outro grande problema do produtor é a mão de obra que nos cobra uma definição do preço a qual nós também não sabemos.
Mas beseado na queda do GEB de R$ 9,71 para R$8,62 e considerando que o preço médio pago em maio foi de R$ 4,00 (4,20 / 3,90) o preço a ser pago em junho seria de R$ 3,60 a 3,50. A valor de R$ 3,29 do artigo acima significa que as usinas de beneficiamento terão um lucro de R$ 0,26 por quilo de borracha nas custas do produtor e sangrador (participação na produção).
Como disse no comentário anterior, crise da borracha não existe, pelo menos no Brasil.
Abraços
Renato Ferrari
Agradeço a sua contribuição na discussão. Crescemos nas diferenças.
A borracha natural é uma commodity e, portanto, tem seu preço determinado pelo mercado internacional, mais especificamente pelos maiores produtores e exportadores – Tailândia, Indonésia e Malásia -, que agora contam com o apoio do Vietnã.
No Brasil, a borracha natural é amparada pela Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM) desde 2005, e tem o preço fixado hoje em R$1,53/kg de coágulo, como mencionado acima. O valor garante a cobertura do custo de produção, protegendo o produtor de uma queda acentuada dos preços internacionais.
Entendo que a sua proposição é a criação de um preço mínimo “tabelado”. Porém, isso vai de encontro (contra) com as práticas de livre mercado. Entendo ainda que o produtor pode fixar o preço do seu produto a partir do custo de produção, mas grande parte desconhece quanto custa produzir seu coágulo e muitos não tem volume (nem qualidade) para negociar bem com as usinas de beneficiamento.
Discordo da ideia de que a cultura da seringueira é um investimento de alto risco porque, de acordo com o senhor, o retorno do investimento é de até 12 anos. Risco não tem relação direta com o payback. Claro que um payback mais longo deixa o investimento sujeito a ação de fatores de risco por mais tempo.
As projeções de produção/vendas de veículos são baseadas no cenário na época em que são realizadas. As expectativas podem mudar. No início do ano, por exemplo, diante do cenário que se apresentava, acreditava-se que o Brasil pudesse ultrapassar o volume importado de borracha natural no ano passado, batendo um novo recorde. No entanto, no acumulado de janeiro a maio, registrou-se uma redução de 6,4% em relação ao mesmo período de 2010.
Sobre as previsões (de novo) da ANRPC, isso deve refletir nos preços daqui para frente.
O portal borrachanatural.agr.br divulga apenas preços realizados. Não existe hoje um indicador para o coágulo no mês vigente. Por favor, dúvidas relacionadas ao portal devem ser direcionadas diretamente a Natural, empresa gestora do projeto.
Apenas para complementar: existe uma “fórmula” para se calcular o preço recebido pelo produtor, baseado na participação no preço do GEB-1 e no teor de borracha seca (DRC). A participação é negociada livremente entre as partes. O DRC é uma espécie de bônus – quanto maior o teor de borracha seca, maior o preço.
O preço do GEB-1 é fechado no dia 25 e divulgado pela Apabor tão logo é calculado.
A partir do valor divulgado, entendo que cabe ao produtor negociar o preço com a usina para a qual vende a sua produção. Alguns heveicultores têm contrato de fornecimento por safra, no qual está definida a sua participação no preço produto beneficiado, dispensando a negociação a cada bimestre.
O coágulo deve registrar uma queda superior devido ao ajuste na participação do produtor no preço recebido pela usina, para algo em torno de 72%, ante os 77% registrados (também) em maio. Assim sendo, não existe “lucro de R$0,26 por quilo de borracha nas custas do produtor e sangrador”.
Mas tudo bem, creio que o foco nao seria rentabilidade das usinas (devido ao canibalismo delas mesmas) mas sim das pneumáticas, qual será o custo de produção de um pneu e a rentabilidade das pneumáticas segredo 150 mil chaves. Acredito que as usinas mais os produtores devem se unir fechar um preço e nao vender abaixo disso para as pneumáticas (sugiro os R$ 10,00 para repor as perdas que falei anteriormente, mas isso pode ser calculado mais a fundo). Para Heiko sugiro colocar como indicador o preço dos pneus (apabor) e fazer uma retrospectiva de 10 anos pra visualizarmos como se apresentam essas curvas (preço pneu carro, caminhao, trator).
Parabens a todos pela discussão.
O problema é que a oferta interna não atende a necessidade da indústria, sendo necessária a importação de mais dois terços da quantidade produzida no Brasil. Para que se possa determinar o preço interno da forma como sugere, entendo que primeiro deve-se atender a demanda nacional. Por outro lado, se a oferta no mercado internacional for ampliada nos próximos anos e os preços do produto importado forem mais atrativos, a indústria consumidora pode optar pela aquisição do produto no exterior em detrimento do produto nacional, mais caro.
Proponho um exercício.
Considerando que o preço médio em maio no mercado paulista foi de R$3,97/kg de coágulo com DRC de 53%.
Considerando que o Preço Mínimo (PM) fixado pelo governo federal para a borracha natural é de R$1,53/kg – e que, segundo a Conab, cobre os custos de produção.
R$3,97 – R$1,53 = R$2,44
A diferença de R$2,44 representa 159,5% do PM vigente, ou seja, o heveicultor recebe hoje cerca de 1,6x o custo de produção. Considero este um ganho incomparável no agronegócio brasileiro.
Recentemente vimos no Jornal Nacional uma reportagem sobre a borracha natural, na qual citou-se R$2.500 como sendo a renda média de um sangrador no interior paulista.
Em meados de abril deste ano, eu mesmo ouvi de uma sangradora que ela havia recebido no mês anterior quase R$4.000.
Considerando que o salário mínimo nos campos paulistas é de cerca de R$600 – e que muitos trabalhadores rurais recebem este valor -, sou levado a concluir que o salário de um sangrador não é de todo ruim.
Sem dúvida. Escrevi o artigo com base na indicação de que os preços internacionais devem permanecer no patamar atual até o final do ano, e também nas perspectivas de médio e longo prazos, que devem sustentar os preços.
Claro que uma nova crise, seja econômica ou de saúde (H1N1, por ex), pode interferir no mercado de commodities.
No Brasil, a Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM), como todo agricultor sabe não está dentro da realidade dos custo de produção seja para milho, soja, café, algodão e etc, e para a borracha não é diferente. Os preços míninos calculados pelo governo tem a finalidade de controlar a inflação e não de cobrir custos de produção.
Considerando o preço de R$ 3,30 em um alqueire com produção de 1 kg/pé o produtor vai receber líquido em torno de R$ 1.400,00 descontando a porgentagem paga ao sangrador, as despesas de manutenção e o custo da terra (pasto) e o sangrador R$ 1.150. Ao preço de R$ 1,53 como as despesas de manutenção são fixas (alta no preço de fertilizantes e defensivos agricuolas que dependem do petróleo) o produtor vai receber R$ 400,00 contra R$ 535,00 do sangrador. Você iria pagar para trabalhar.
Quando falei em uma política de preços pelo governo falei em o governo taxar a borracha importada de tal forma que seria mais vantajoso para as pneumáticas comprar a borracha nacional a importar, lógico teria que ser feito um calculo para também compensar os 60% nescessário para cobrir a demanda, sendo que o dinheiro da sobretaxa serviria para beneficiar os produtores e estimular novos plantios. Também poderia fazer uma acordo com as pneumáticas para que as borrachas utilizadas na fabricação de pneus exportados não teria sobretaxa tornando os pneus brasileiros mais competitivos.
Quanto ao salário mínimo de R$ 600,00 dúvido que se consegue contratar um funcionário com este salário. O dia na minha região está a R$ 45,00 o que daria no mês R$ 1.350,00.
Concordo também com Eduardo que os maiores beneficiados são as pneumáticas por isso as usina deveriam se unir com os produtores para que tenhamos mais força diante das penumáticas.
Também concordo com Aberides Pitellli que os preços práticados este anos estão bons, por isso não devemos amolecer porque uma vez descontado será difícil retornar.
Abraços
Renato Ferrari
Um seringal com produtividade de 1kg de coágulo por planta realmente não é competitivo. Hoje falamos em produtividades acima de 5kg/pl.ano, chegando a casos de até 11kg/pl. Sugiro buscar melhorar a gestão desta plantação ou, se ela já tiver alcançado o potencial máximo de produção, renovar a área utilizando clones mais produtivos.
Quanto ao custo de produção, um grupo formado por técnicos do setor público e privado, assistidos pela Associação Paulista de Produtores e Beneficiadores de Borracha (Apabor), realizou o levantamento do custo de produção para o Estado de São Paulo e concluiu-se que a metodologia aplicada pela Conab é válida, e reflete a realidade. O problema é que o valor é válido por um ano, sujeito às variações do mercado de insumos e mão de obra, tanto para cima quanto para cima ou para baixo.
Concordo que a forma como o governo federal trabalha em prol da agricultura poderia ser mais dinâmica, acompanhando as tendências de mercado.
A Apabor é a representação mais forte no país para produtores e usinas, mas com preços tão elevados, são poucos os associados que participam das discussões para fortalecer o segmento produtor diante da indústria consumidora. Hoje, temos discutido ações para estruturar o setor – e isso tem ocorrido inclusive com a participação da indústria.
Se o senhor for associado da Apabor, leve uma proposta para discussão.
Agradeço a sua participação.
A sua inquietação é partilhada por alguns outros produtores.
Quando comecei a acompanhar o setor, isso há cerca de 10 anos, também tinha preocupação com a substituição da borracha natural pela sintética. No entanto, devido ao padrão de qualidade de alguns produtos e aplicação de outros, noto que não é tão simples tal substituição devido aos atributos que a natural fornece aos produtos.
Hoje, vejo mais pesquisas na área de reuso da borracha vulcanizada. Porém, mesmo esta tecnologia tem aplicação limitada, devido aos mesmos motivos que citei para a substituição.
Bem… mas esta é a minha opinião sobre isso. Não sou químico.
Ao preço de 3,30 R$ coag. em um alqueire considera-se 1000 pls em sangria o que daria R$ 3300 mes o custo usual é de 40 a 45% o que daria um resultado de 1980 a 1815 R$ média 1900 R$ 11 meses de safra R$ 20900 por safra. O problema é que a média de sp é algo ao redor de 1500 kg de borracha seca por ha que daria 6,8 kg de coágulo/ano pl o que daria um resultado líquido de R$ 12900 por alqueire. A R$ 1,53 preço mínimo e um produção media de 1500 kgbsha daria um resultado líquido de R$ 5980 por alqueire ano. Esses valores sao relativos pois nao levam em consideração o tempo de imaturidade e o tempo que a produção demora para atingir uma boa produtividade, nao considera depreciação custo da terra aparentando um resultado distorcido do empreendimento. Mas eu volto a insistir que nao devemos expor nossos resultados e devemos lutar por preços melhores. As pneumáticas estão confortáveis vendo a propria associacao indicar ou sinalizar um preço menor para o mes seguinte. É evidente que a associacao está apenas calculando e repassando o que foi combinado mas talvez seja hora de rever essa sistemática não acham.
Quanto a borracha sintetica eu acho que o caminho é inverso o que deve ocorrer é uma reducao na oferta de petroleo e ai se usar ainda mais borracha natural o petroleo é produto esgotável e a borracha nao é.
abr a todos
Heiko o Eduardo entendeu bem, eu usei como referência para o calculo uma produção de 1 kg/pl/mês (média), ou seja, 10 kg/pl/ano (média) já que minha safra é de no máximo 10 meses. Eu costumo deixar no mínimo 2 meses de descanso na entre safra para a recuperação da árvore, dando início do descanso no começo da brotação e término quando as folhas estão verde escuras, não fico bitolado em época do ano, fico atento sim na resposta das próprias arvores.
Eduardo segundo o IAC é possível sim atingir a média de 10 kg/pl/ano dede que se faça uma boa gestão conforme mencionou o amigo Heiko e que não se tenha problemas climáticos.
Nas safras de 2006/2007 e 2007/2008 eu atingi esta meta, porém nas safras posteriores de 2008/2009 foi uma média de 5,3 kg/pl/ano (cujo preço atingiu R$ 0,90 causando prejuízos e dividas que estão sendo pagas até hoje) e na safra 2009/20010 média de 7,0 kg/pl/ano. Na safra atual 2010/2011 já cheguei a 8,38 kg/pl/ano e conto hoje com uma queda suave na produção em torno de 2 a 3% por semana, porém meu foco continua sendo a meta de 10 kg/pl/ano. Acredito que este ano a produção poderia ser até maior dos 10 kg/pl/ano se não fosse a baixa produtividade do inicio da safra, por exemplo: Janeiro 2011 – 200 gr/pl/mês; Março 2011- 400gr/pl/mês, porém o mês passado Maio 2011 produziu 2,3 kg/pl/mês o que gerou a média de 8,38 kg/pl/ano.
Para atingir esta meta trabalho de olho na produção da planta, ou seja, altero a condução de acordo com a resposta da planta. A freqüência adotada é o d4 porém durante a safra chego a fazer freqüências d3;d4;d5 e d6. Em uma condição de clima favorável trabalho em d4, em uma condição de clima desfavorável vou alternando. Clima seco d4 intercalado com d5 e d6 para descanso e recuperação da árvore e com chuva d3 e d4 para recuperação de sangria podendo até chegar em d2. A limpeza do seringal é feita somente no inverno, pois há uma concorrência com as plantas, mas nas águas limpo somente uma faixa para facilitar o trabalho do sangrador, pois o mato ajuda a manter o solo úmido e livre de erosão e os insetos e ácaros concorrem entre si diminuindo a incidência de doenças.
A minha sugestão é que não fique preso as técnicas mencionas e que você encontre o que é melhor para o seu seringal fazendo alterações e observando as respostas. A condução adotada por mim é favorável as minhas condições, talvez não seja favorável a outras condições.
Resumindo uma produção menor de 7 kg/pl/ano é muito baixa e devemos traçar com meta 10 kg/pl/ano.
Abcs
Renato Ferrari
Como já lhe disse, eu entrei no ramo há pouco tempo, uns 03 anos, porém, estou percebendo que o fato da borracha natural ser extraída de uma árvore e ser ecologicamente correta sua exploração é pouco divulgado na mídia, ou seja, não está sendo explorado esta grande vantagem da borracha natural perante a sintética. Assim, sugiro a criação de um selo para identificar os produtos fabricados de borracha natural, inclusive, incentivando o consumo destes produtos, alertando ainda, o consumidor, que cada vez que consume produtos provenientes da borracha natural, ele estaria contribuindo para o sequestro de carbono e para reflorestamento. Sr. Heiko é apenas uma idéia, e que pode ser aprimorada, mas sem dúvida contribuiria para o aumento do preço da borracha e valorizaçao de toda cadeia produtiva.
Ai vai uma dica ao amigo Fábio, na verdade depois de transformado em composto, tanto os compostos feitos de borrachas sintética e de natural são atualmente iguais no que se diz respeito a impacto ambiental devido as dificuldades de reaproveitamento. Esse esta sendo o tema mais falado sobre a borracha, O TAL IMPACTO AMBIENTAL E A EXTREMA NECESSIDADE DE SE REAPROVEITAR OS RESIDUOS DE BORRACHA ASSIM COMO SE ACONTECE COM OS RESIDUOS PLASTICOS POR EXEMPLO.
Na minha opinião, na verdade o grande trunfo de vocês produtores está no que se diz respeito ao excelente rendimento que a borracha natural tem mediante aos sintéticos na produção de pneus. Nada atualmente substitui a Natural na produção dos pneus. A famosa ABRASÃO, que nada mais é que a capacidade do composto em resistir ao desgaste em contato com o solo (no caso dos pneus) é o principal trunfo que deve ser argumentado. Essa é minha dica, continuarei acompanhando as discussões. Abraço a todos.
Existe no mercado a compra antecipada de borracha, num modelo “soja verde”?
obrigado
(você por aqui? rs)
Sinceramente, não conheço nenhum caso. Arriscaria afirmar que não existe compra antecipada.
Deixo claro que não sou nenhum ambientalista, pelo contrário, acho que ambientalistas atrapalham muito a nossa agricultura. Entretanto, acho que nós que temos seringueiras ou estamos plantando, devemos explorar mais este álibi, pois, hoje está na moda se dizer que isto ou aquilo é “ecológicamente correto”.
Por isso, e sem “puxar sardinha”, que considero importante uma publicação como a Revista Lateks – uma vitrine da heveicultura brasileira. Mas a maioria das empresas do setor de borracha ainda não tiveram esta visão, talvez por serem extremamente focadas no seu negócio.
Tem algum indicativo de baixa, alguem tem conhecimento ou é simplesmente manobra para baixar preço.
Não desistimos, continuamos a plantar e começamos a produzir.
No inicio da extração em meados de 1995 chegamos a nos desesperar, uma vez que o custo da sangria (mão de obra) era maior que o preço de venda.
Continuamos insistindo, aprendendo por conta propria, errando e acertando, até chegarmos aos dias atuais.
Não é facil plantar e extrair, exige muitos anos de investimento, mas o resultado final é compensador, posto que é uma poupança para a vida toda.
A arvore quando bem tratada pode chegar a 50 anos produzindo. Tenho um vizinho que tem arvore de 41 anos em franca produção.
Lembrem-se que para se formar um canavial, em 18 meses voce tem o retorno, mas um seringal, o retorno minimo é de 8 a 10 anos.
Por isso pouco investimento se verifica no setor.
Outra coisa muito importante é a qualificação e o treinamento que se deve dar ao funcionario sangrador. Ele é a peça mais importante em um seringal.
E, não é salario adequado, mas sim, a boa qualidade de vida que se deve proporcionar a ele, principalmente moradia decente.
Quanto ao consumo de borracha natural, ainda não inventaram seu substituto. Para se produzir um pneu radial de caminhão, ha necessidade de uma parcela consideravel de borracha natural, porque ela proporciona um pneu mais flexivel.
Segundo fui informado (não sou tecnico), os pneumaticos de aviões são produzidos somente com borracha natural, porque eles precisam de muita elasticidade.
Finalmente, informo que juntamente com outros abnegados, fomos um dos fundadores da APABOR, entidade que tem crescido e que procura defender nossos interesses.
Saudações
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