03/setembro/2010 - sexta-feira
Coluna Semanal
Insha’Allah!
A estiagem prolongada, o vento constante, as altas temperaturas, têm sido responsabilizados por pomares murchando, queda de frutos, enormes filas na porta das indústrias. Recebi vários relatos de perda. Alguns mais dramáticos, cuja queda de frutos beira 1/3 da produção. Ainda que se imaginem preços melhores no futuro, por conta de mais uma quebra de safra, eu e mais alguns, nesta época especialmente, nos roemos de inveja dos citricultores irrigantes. Acreditamos que o novo Código Florestal nos daria a esmola de averbar a Reserva Legal computando o que temos de APP, “apenas” completando os 20% da área total da propriedade. Estaríamos aptos, então, a planejar, financiar e implantar nossas necessárias estruturas de irrigação. Mas o projeto Aldo Rebelo custa a caminhar no Congresso, e o Ministério do Meio Ambiente já prepara a apresentação de um projeto substitutivo de Código Ambiental.
Está aberta a bolsa de apostas para escolher quem se concluirá primeiro: o Código Florestal, o Consecitrus ou as filas nas indústrias. Não queira saber quem escolho, porque, filho de quem sou, “teimo, mas não abosto”.
Na matéria Consecitrus, há notícias de produtores que fazem a lição de casa e continuam debatendo entre si, procurando esclarecer-se e formulando demandas sobre ele. Mostrando desdobramentos da proposta inicial. E isso é bom, se não perdermos o foco!
Produtores que não renegociaram seus contratos e tem preços fixos vivem momentos amargurados. Aqueles que contavam com “participação” pós fechamento de safra, recebem relatórios que resultam em “participação” zero e preços finais que comprometem a viabilidade do negócio. Eles sentem falta de transparência nas negociações realizadas e na elaboração de tais relatórios.
Informação e transparência são demandas básicas para os produtores. Decisões de ficar ou sair da atividade, adubar pomar ou não, renovar ou esperar, são graves demais para continuar sendo tomadas na base do achismo ou fundadas em dados fornecidos por quem não tem sua confiança.
Desta forma, há quem entenda que, havendo representação única dos produtores no Consecitrus, sem batismo definido, por ora, Unicitrus, Producitrus, ou que nome se lhe dê, ela precisará incumbir-se das tarefas, entre outras, de pesquisa, de criar a base estatística que produzirá informações relevantes para seus membros e toda a cadeia produtiva. Dados confiáveis vindos também do produtor, não para mera colisão, mas para que, na multiplicidade de fontes, caminhemos para a convergência de informações. Para tanto, afirmam o imperativo de esta representação ser dotada de verbas suficientes para concretizar tais objetivos. E que as verbas devem vir diretamente, junto com o recolhimento do Fundecitrus, para a Uni/Produ-citrus que se encarregará de distribuí-las entre fitossanidade, pesquisa estatística ou biotecnológica (por cuja participação se garante acesso aos resultados), e outras áreas predeterminadas. Ainda que o Estado esteja se movimentando para oferecer estatísticas em convênio com o USDA, outros produtores sentem-se mais confortáveis com um menor envolvimento do poder público. São opiniões a considerar.
Verifica-se que o debate tem chão a percorrer, arestas a aparar, temas espinhosos como angariar fundos e dar-lhes destino, organização da representação e sua legitimação, ajuste de foco, até chegar a um consenso. E isso só do lado do produtor.
As questões do Consecitrus relativas à remuneração da caixa de laranja são importantíssimas, mas há quem veja, neste movimento de mais ampla coordenação dos produtores, o ponto fundamental e o maior lucro para equilibrar o setor.
Neste ínterim, eu e meu “baitrão teima no laranja”. Minha mãe, que não é “batrícia” e teima no Santana Azul, “abosta” na MegaSena de sábado, pra ganhar R$85 milhões. Insha’Allah*!
E você? Faz fé em quem?
*”Se Deus quiser”.
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do código penal. Conheça a Lei 9610.
















