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24/fevereiro/2011 - quinta-feira

Coluna Semanal

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CITROS – Paulo Sader

Finalmente!

Pelo tempo transcorrido desde a postagem do texto de 21 de janeiro, concluo que tão ou mais difícil que escrever o primeiro artigo é criar o último!

Mas, antes de ir aos “finalmente”, gostaria de fazer umas considerações.

No primeiro texto que escrevi aqui, há quase 3 anos, o Agroblog se abria como um espaço para o citricultor debater “com bravura, e até um pouco de braveza”, o seu setor econômico, a sobrevivência da cultura. Nestes meses, foi o que vimos acontecer. Alguns ponderam que o produtor ainda é muito contido, evita comprometer-se. Mas, o fato é que neste espaço compareceram produtores, consultores; a seu tempo, a indústria, por mais que se desacreditasse na possibilidade de ela vir dialogar; e, por fim, o Secretário de Agricultura do Estado, mais de uma vez, usou o blog como canal de comunicação direta com a citricultura.

O Agroblog evoluiu e vemos, também, o segmento transformando-se.

Mesmo sendo o último artigo, vou manter o esquema de comentar neste as participações do artigo anterior, dirigindo-me ao Sr. Jorge que fez ressalvas e questionamentos às estatísticas sobre o greening, divulgadas pela Secretaria de Agricultura. Está correto o cidadão que tem dúvida a respeito de um serviço público ao pedir, da autoridade respectiva, explicações, justificativas e melhorias. Esta é a democracia que nós construiremos se manifestarmo-nos usando os dispositivos à mão. A única ressalva que faço, e entendo a “braveza”, é sobre a “negligência” do Secretário com a citricultura. Eu mesmo reclamei muito da atuação da Secretaria no episódio lamentável, entre outros, da desestruturação do Fundecitrus. Mas, levando em conta o descaso crônico dos políticos em geral com o agronegócio, mais preocupados com projetos de poder, não me lembro de ter um secretário tão próximo do produtor como este… a ponto de emprestar sua atenção e energia num projeto de restabelecimento do diálogo dentro da cadeia produtiva, através do Consecitrus. No mais, estatísticas confiáveis e verdadeiramente públicas deveriam ser a primeira providência de um Consecitrus. Para os políticos, estar próximo é uma coisa, dar o que o setor precisa é outra. Entre o poder fazer e o querer fazer há boa distância. Mas eles precisam saber o que queremos como setor, não individualmente. Se não nos ouvem talvez a voz esteja baixa, o pleito não está claro, a organização é precária, falta firmeza para impor uma representação política que nos defenda! O ouvido deste secretário parece aberta… vamos falar!

Por outro lado, a ameaça chinesa permeou os noticiários neste início de ano cristão de 2011. Contudo, em 02 de fevereiro, véspera do ano novo chinês, do coelho, ano 4709, o Canal Rural promoveu um debate sobre o Consecitrus entre a Citrus Br, a Associtrus e a SRB. Quem não assistiu tem o vídeo no site da Associtrus.

Confesso que me transportei às eleições da política nacional. Fica um elogio ao mediador que não queria jogo empatado. Por vezes, pareceu exasperado com o impasse, com o vai-não-vai do Consecitrus.

No paralelismo com a política, eu que sou “maduro”, lembrei-me de um partido muito eficiente em fazer oposição. E que nunca ganhava eleição. Seu maior capital, fora o discurso inflamado, eram os correligionários: aguerridos brigadores pela causa, fervorosos defensores de uma revolução. Estridentes, extremistas, nunca conseguiram cooptar todos os segmentos da sociedade para seu projeto. De repente, não muito de repente assim, foram capazes de se apropriar da bandeira do adversário e suavizar seu discurso. Ofereceram o que a maioria da população queria. Conquistaram e mantêm o poder até hoje operando seu próprio interesse, dando as mãos e chamando de amigos quem, tempos atrás, tinha apelido de Tinhoso, Belzebú, Coisa-ruim. Em hipótese alguma defendo a ideia de que os fins justificam os meios. Mas não há evolução sem diálogo, não há vitória sem negociação, como não há negociação sem concessão. Se eu deixasse o sangue falar: vão-se os dedos, ficam os anéis… mas o ditado é vão os anéis, ficam os dedos! É hora de recuperar a bandeira que é nossa, organização do setor, ainda que isto signifique um atraso tático para os objetivos de sempre: remuneração adequada.

Não adianta malhar ferro frio. É preciso atenção à voz rouca dos pomares. Não se deve desgastar o discurso, sob pena de enfraquecê-lo. Falta alargar e aprofundar a legitimidade da representação. Falta juntar força. Não sei se a Citrus Br representa efetivamente o interesse das 4 indústrias, mas, independentemente disto, é fato que no lado do produtor não há uniformidade na representação.

Certa vez, ouvi do deputado federal Duarte Nogueira, sempre presente nos eventos de citricultura, um alerta para a realidade de que político se mexe na proporção da visibilidade de quem pleiteia. Querendo algo, precisamos fazer-nos notados… a representação unificada dos produtores num eventual Consecitrus dá uma voz única, audível, clara, para os pleitos do citricultor. É preciso começar. Portanto, à organização e aos megafones!

PS:
Interrompo, hoje, nossa convivência, quase semanal, de quase 3 anos. Por tudo sou grato: pela oportunidade de escrever e de ser lido; por quando fui reconhecido na rua e minhas filhas acharam que eu estava virando celebridade; pelo respeito e paciência com que fui tratado durante todo este tempo pelo diretor do blog e pelos leitores que, muitas vezes, não concordavam com as ideias do texto. Agradeço o incentivo de quem escreveu nos comments… esta é a razão de viver de todo blogueiro… sem comentários é desesperador. Mais desesperador, contudo, são os comentários de quem não escreve, mas comenta, né mãe, né pai? Sou plenamente grato se alguém, fora eu mesmo, aproveitou alguma coisa das nossas conversas.

Com o abraço amigo que recebem, vai junto meu maior obrigado!

Paulo Sader

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