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	<title>Agroblog - O Blog do Agronegócio &#187; Citros</title>
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	<description>Um time de grandes Agroblogueiros disponibilizam semanalmente análises e informações privilegiadas sobre o agronegócio.</description>
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		<title>CITROS &#8211; Paulo Sader</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Feb 2011 08:30:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Agroblog.com.br</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Finalmente! Pelo tempo transcorrido desde a postagem do texto de 21 de janeiro, concluo que tão ou mais difícil que escrever o primeiro artigo é criar o último! Mas, antes de ir aos &#8220;finalmente&#8221;, gostaria de fazer umas considerações. No primeiro texto que escrevi aqui, há quase 3 anos, o Agroblog se abria como um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><strong>Finalmente!</strong></h2>
<p>Pelo tempo transcorrido desde a postagem do texto de 21 de janeiro, concluo que tão ou mais difícil que escrever o primeiro artigo é criar o último! </p>
<p>Mas, antes de ir aos &#8220;finalmente&#8221;, gostaria de fazer umas considerações. </p>
<p>No primeiro texto que escrevi aqui, há quase 3 anos, o Agroblog se abria como um espaço para o citricultor debater &#8220;com bravura, e até um pouco de braveza&#8221;, o seu setor econômico, a sobrevivência da cultura. Nestes meses, foi o que vimos acontecer. Alguns ponderam que o produtor ainda é muito contido, evita comprometer-se. Mas, o fato é que neste espaço compareceram produtores, consultores; a seu tempo, a indústria, por mais que se desacreditasse na possibilidade de ela vir dialogar; e, por fim, o Secretário de Agricultura do Estado, mais de uma vez, usou o blog como canal de comunicação direta com a citricultura.</p>
<p>O Agroblog evoluiu e vemos, também, o segmento transformando-se. </p>
<p>Mesmo sendo o último artigo, vou manter o esquema de comentar neste as participações do artigo anterior, dirigindo-me ao Sr. Jorge que fez ressalvas e questionamentos às estatísticas sobre o greening, divulgadas pela Secretaria de Agricultura. Está correto o cidadão que tem dúvida a respeito de um serviço público ao pedir, da autoridade respectiva, explicações, justificativas e melhorias. Esta é a democracia que nós construiremos se manifestarmo-nos usando os dispositivos à mão. A única ressalva que faço, e entendo a &#8220;braveza&#8221;, é sobre a &#8220;negligência&#8221; do Secretário com a citricultura. Eu mesmo reclamei muito da atuação da Secretaria no episódio lamentável, entre outros, da desestruturação do Fundecitrus. Mas, levando em conta o descaso crônico dos políticos em geral com o agronegócio, mais preocupados com projetos de poder, não me lembro de ter um secretário tão próximo do produtor como este&#8230; a ponto de emprestar sua atenção e energia num projeto de restabelecimento do diálogo dentro da cadeia produtiva, através do Consecitrus. No mais, estatísticas confiáveis e verdadeiramente públicas deveriam ser a primeira providência de um Consecitrus. Para os políticos, estar próximo é uma coisa, dar o que o setor precisa é outra. Entre o poder fazer e o querer fazer há boa distância. Mas eles precisam saber o que queremos como setor, não individualmente. Se não nos ouvem talvez a voz esteja baixa, o pleito não está claro, a organização é precária, falta firmeza para impor uma representação política que nos defenda! O ouvido deste secretário parece aberta&#8230; vamos falar!</p>
<p>Por outro lado, a ameaça chinesa permeou os noticiários neste início de ano cristão de 2011. Contudo, em 02 de fevereiro, véspera do ano novo chinês, do coelho, ano 4709, o Canal Rural promoveu um debate sobre o Consecitrus entre a Citrus Br, a Associtrus e a SRB. Quem não assistiu tem o vídeo no site da Associtrus.</p>
<p>Confesso que me transportei às eleições da política nacional. Fica um elogio ao mediador que não queria jogo empatado. Por vezes, pareceu exasperado com o impasse, com o vai-não-vai do Consecitrus.</p>
<p>No paralelismo com a política, eu que sou &#8220;maduro&#8221;, lembrei-me de um partido muito eficiente em fazer oposição. E que nunca ganhava eleição. Seu maior capital, fora o discurso inflamado, eram os correligionários: aguerridos brigadores pela causa, fervorosos defensores de uma revolução. Estridentes, extremistas, nunca conseguiram cooptar todos os segmentos da sociedade para seu projeto. De repente, não muito de repente assim, foram capazes de se apropriar da bandeira do adversário e suavizar seu discurso. Ofereceram o que a maioria da população queria. Conquistaram e mantêm o poder até hoje operando seu próprio interesse, dando as mãos e chamando de amigos quem, tempos atrás, tinha apelido de Tinhoso, Belzebú, Coisa-ruim. Em hipótese alguma defendo a ideia de que os fins justificam os meios. Mas não há evolução sem diálogo, não há vitória sem negociação, como não há negociação sem concessão. Se eu deixasse o sangue falar: vão-se os dedos, ficam os anéis&#8230; mas o ditado é vão os anéis, ficam os dedos! É hora de recuperar a bandeira que é nossa, organização do setor, ainda que isto signifique um atraso tático para os objetivos de sempre: remuneração adequada.</p>
<p>Não adianta malhar ferro frio. É preciso atenção à voz rouca dos pomares. Não se deve desgastar o discurso, sob pena de enfraquecê-lo. Falta alargar e aprofundar a legitimidade da representação. Falta juntar força.  Não sei se a Citrus Br representa efetivamente o interesse das 4 indústrias, mas, independentemente disto, é fato que no lado do produtor não há uniformidade na representação.</p>
<p>Certa vez, ouvi do deputado federal Duarte Nogueira, sempre presente nos eventos de citricultura, um alerta para a realidade de que  político se mexe na proporção da visibilidade de quem pleiteia.  Querendo  algo, precisamos fazer-nos notados&#8230; a representação unificada dos produtores num eventual Consecitrus dá uma voz única, audível, clara, para os pleitos do citricultor. É preciso começar. Portanto, à organização e aos megafones!</p>
<p><em>PS:<br />
Interrompo, hoje, nossa convivência, quase semanal, de quase 3 anos. Por tudo sou grato: pela oportunidade de escrever e de ser lido; por quando fui reconhecido na rua e minhas filhas acharam que eu estava virando celebridade; pelo respeito e paciência com que fui tratado durante todo este tempo pelo diretor do blog e pelos leitores que, muitas vezes, não concordavam com as ideias do texto. Agradeço o incentivo de quem escreveu nos comments&#8230; esta é a razão de viver de todo blogueiro&#8230; sem comentários é desesperador. Mais desesperador, contudo, são os comentários de quem não escreve, mas comenta, né mãe, né pai? Sou plenamente grato se alguém, fora eu mesmo, aproveitou alguma coisa das nossas conversas.</p>
<p>Com o abraço amigo que recebem, vai junto meu maior obrigado!</p>
<p>Paulo Sader</em></p>
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		<title>CITROS &#8211; Paulo Sader</title>
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		<pubDate>Fri, 21 Jan 2011 08:11:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Agroblog.com.br</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A bem amada citricultura Na semana em que o licor &#8220;jenipapístico&#8221; do saudoso prefeito Odorico Paraguaçu, o Bem Amado, de Dias Gomes, volta à mídia, assuntos &#8220;laranjísticos&#8221; é que viveram dias de estrelismo explícito e frequentaram as primeiras páginas do maior jornal econômico do país, por duas vezes consecutivas, além das páginas internas de outros [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><strong>A bem amada citricultura</strong></h2>
<p>Na semana em que o licor &#8220;jenipapístico&#8221; do saudoso prefeito Odorico Paraguaçu, o Bem Amado, de Dias Gomes, volta à mídia, assuntos &#8220;laranjísticos&#8221; é que viveram dias de estrelismo explícito e frequentaram as primeiras páginas do maior jornal econômico do país, por duas vezes consecutivas, além das páginas internas de outros grandes periódicos nacionais.</p>
<p>&#8220;Deixando os entretanto e partindo pros finalmente&#8221;, os textos sugeriam cautela aos citricultores do mundo. A China pode ser o Zeca Diabo encarregado de inaugurar o cemitério de Sucupira, ou de Sucucítrica, a cidade dos laranjeiros. E a vítima pode ser&#8230; você!</p>
<p>A matéria já tinha sido tratada em jornais americanos. Lá, como cá, houve quem moderasse a repercussão do vaticínio do chinês que disse que até 2015 a China vai dominar a indústria mundial de citros. Para segurar os batimentos cardíacos dos produtores e evitar uma reação exagerada, foram lembradas as dificuldades que os chineses enfrentam no que toca à disponibilidade de água, terra e alimentos de primeira necessidade; a sua, ainda, pequena participação no mercado mundial de suco de laranja; e o fato de que, antes de exportarem a fruta e seus derivados, podem ter sido os exportadores do HLB – huanglongbing – greening, este sim, a grande ameaça à citricultura da Flórida, de São Paulo e onde mais houver pomares de citros.</p>
<p>Na disputa pela primazia entre as economias do mundo, a China sempre ataca com seus números assutadores, tentando intimidar os adversários, imobilizá-los ou fazê-los correr da raia.</p>
<p>Em que pese a capacidade de realização dos orientais, não se podem esquecer o tempo e os custos de se criar a primeira e a segunda maiores citriculturas do mundo além, o mais difícil, de mantê-las nesta posição. A mensagem mais alvissareira, porém, me pareceu a do Presidente da CitrusBr, que aponta para um desejo de todos os citricultores do Brasil: &#8220;(&#8230;) o futuro do consumo está nos países emergentes, o Brasil está entre eles&#8221;. Sem querer posar de ingênuo, quem sabe vivenciamos o momento em que a indústria resolve investir ativamente na ampliação do mercado interno de suco de laranja.</p>
<p>Falando da ameaça de nome chinês, Huanglongbing, o último relatório da Secretaria de Agricultura de SP, mostra redução na quantidade de plantas eliminadas por causa da doença, o que se atribui à sua menor incidência nos talhões inspecionados. Na Flórida, que ainda contabiliza o impacto do frio sobre sua produção de laranja, o greening continua sendo uma séria ameaça, em especial devido aos pomares abandonados que servem de foco, também, para o cancro cítrico. No período anterior a 2008, o boom imobiliário expulsou a citricultura substituindo-a por empreendimentos na construção civil. Com a crise, nem edifícios, nem citricultura. Terras onerosas e pomares abandonados. Ameaça para os vizinhos que se mantiveram na cultura agrícola.</p>
<p>Em véspera de negociação de preços, o &#8220;esquenta&#8221; começou bem! As sugestões de cautela com a euforia são bem vindas, mas as perspectivas de preço são muito boas. De imediato, não tem laranja! Ponto pro preço alto. Boatos de começo de oferecimento, pela indústria, do mesmo preço pago em 2010 soam como ponto de partida, não de chegada! Na Europa, em entrevista a uma publicação francesa especializada, o responsável pelo abastecimento de uma grande engarrafadora lamenta que os preços mundiais do suco concentrado de laranja sofreram um primeiro aumento brutal de preços no outono de 2009, no hemisfério norte, passando de US$1 mil a US$1,5 a tonelada. Na primavera de 2010 o suco cruzou a barreira dos US2 mil e a de US$2,5 no verão. A ascensão não parece ter terminado, em sua opinião: &#8220;Certos fornecedores antecipam uma má floração no Brasil, e anunciam-nos US$2,6 a US$2,8 mil a tonelada!&#8221; A preocupação aumenta quando se avaliam outros sucos competidores, entre os mais vendidos no mercado. O suco de maçã, por exemplo, é vendido a um preço 2 vezes mais caro que antes do verão europeu. &#8220;A maçã desempenha um papel de produto de substituição: os consumidores procuram-na quando a laranja é cara e as engarrafadoras aumentam seu peso nos mix de suco. Estas adaptações perderam uma boa parte do seu interesse&#8221;, observa o diretor geral da Refresco France. Ponto pra nossa laranja.</p>
<p>Assim, &#8220;tomemos os providenciamentos necessários&#8221; para manter a sanidade e produtividade dos bem amados pomares e aguardemos, &#8220;com a alma lavada e enxaguada&#8221;, os próximos e emocionantes capítulos desta novela citricolística, sem preocupação imediata com a sempre trepitande e dinamitosa ameaça chinesa e fé em &#8220;meu padim, pade Ciço&#8221; que há de ser bom o preço da caixa de laranja neste 2011.</p>
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		<title>CITROS &#8211; Paulo Sader</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Jan 2011 09:48:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Agroblog.com.br</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Blog, sweet blog De volta à casa! Começo agradecendo as manifestações postadas no último artigo, de 13 de dezembro. Julgo ser essencial evidenciar os bons exemplos e manifestar respeito por quem vive destemidamente e tenha méritos acumulados. Por isso, faço homenagem à Dra. Victória Rosseti, falecida após o natal. A expectativa do agronegócio para saber [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><strong>Blog, sweet blog</strong></h2>
<p>De volta à casa!</p>
<p>Começo agradecendo as manifestações postadas no último artigo, de 13 de dezembro. </p>
<p>Julgo ser essencial evidenciar os bons exemplos e manifestar respeito por quem vive destemidamente e tenha méritos acumulados. Por isso, faço homenagem à Dra. Victória Rosseti, falecida após o natal. </p>
<p>A expectativa do agronegócio para saber quem seria o novo secretário de Agricultura do Estado de São Paulo durou quase até o espocar dos primeiros fogos da virada do ano. Por fim, João Sampaio foi mantido no cargo. Para a citricultura, tratar com alguém aberto ao diálogo, atento às suas necessidades, conhecedor das suas agruras e, principalmente, fiador de um projeto em andamento para apaziguar o setor, significa que não haverá solução de continuidade por conta da mudança de governo no diálogo estabelecido ao longo de 2010. Podemos avançar!</p>
<p>Aos que ficaram &#8220;enciumados&#8221; com a generosidade da Coca Cola e do Cutrale que, como noticiamos no 13/12/10, doaram US$1,5 milhão, cada uma, para pesquisas de combate ao greening, à Universidade da Flórida, digo que se acalmem. Afinal, a notícia mais recente é de que a Cutrale, neste início de 2011, doou R$4 milhões ao Fundecitrus com o objetivo de desenvolver e difundir pesquisas e técnicas que melhorem o combate às doenças que ameaçam a citricultura. Foi uma belíssima resposta àquela parte do nosso último texto que diz: &#8220;Seria muito bom que (&#8230;) a indústria divulgasse qual sua contribuição para a pesquisa que garantirá a sobrevivência do setor que ela lidera&#8221;. As contribuições dos produtores, do Estado e das demais indústrias para o desenvolvimento da citricultura garantirão nossa sobrevivência competitiva.</p>
<p>Aqui aproveito para falar diretamente ao Fabrício Bahia, do último comentário de 2010. A pesquisa da Universidade da Flórida com o greening, mencionada no artigo de fim de ano, diz que foi descoberto um fungo que parasita e mata o psilídeo. O objetivo dos pesquisadores é encontrar um mecanismo eficaz de contágio e disseminação deste fungo entre a população de psilídeos. A proposta em teste é de aplicar o fungo em cartões, do tipo daqueles usados por aqui como armadilhas para contagem de cigarrinhas e psilídeos no pomar. Atraído pelo cartão impregnado do fungo letal, o psilídeo contaminado se encarrega de esparramar a &#8220;causa mortis&#8221; entre os outros com que tiver contato e pelo pomar. Obviamente, não existe uma relação imediata da pesquisa de greening com mercado futuro. A relação que se pretende ver estabelecida está entre &#8220;pesquisa séria&#8221;, correspondente capacitação do produtor e a sobrevivência competitiva da citricultura. Estes dois últimos fatores, sim, determinantes do que será o mercado &#8220;no futuro&#8221; e quem o dominará. </p>
<p>No presente, as questões climáticas e agronômicas estão mais no foco das preocupações e esperanças do setor e do mercado futuro de suco de laranja. O frio que a Flórida enfrentou e deve repercutir na atual safra e na próxima; as perspectivas de alongamento do fenômeno La Niña; a redução da safra americana estimada pelo USDA em 140 milhões de caixas; a irregularidade do pegamento da última florada de safra nos pomares paulistas e as incertezas da floração de janeiro, submetida a um período muito chuvoso e ao risco de pinta preta, estrelinha, greening.</p>
<p>Vindo de um 2010 cuja safra pequena obteve bons preços, as expectativas reinantes para 2011 são positivas. Ainda mais que, na atual conjuntura de falta de fruta, o mercado interno e a indústria estão adquirindo o que aparecer na sua frente, por preços que variam mais em função da dificuldade da colheita do que da qualidade e apresentação da fruta. Os espíritos tendem a deixar-se contagiar pela inércia dos preços altos. Amém! Cuidemos, porém, da pressão que a inércia do aumento de custos de insumos e mão de obra exercerão sobre nós.</p>
<p>Todo ano começa desafiador. Este não é um ano diferente. Assim, arregaça as mangas e vamos amassar o barro, que não parou de chover ainda!</p>
<p>OS: Não esquecer da responsabilidade de entregar o relatório do greening até dia 17.</p>
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		<title>CITROS &#8211; Paulo Sader</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Dec 2010 09:38:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Agroblog.com.br</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Responsabilidade de todos Fim de ano, fim de safra. Balanços, previsões e projetos estão na pauta de todo citricultor. O momento mostra que os preços da laranja procuram Papai Noel em pleno voo: o mercado interno de fruta in natura compra a caixa de 40,8 kg a R$20,00, na roça. Há pouca fruta no Estado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><strong>Responsabilidade de todos</strong></h2>
<p>Fim de ano, fim de safra. Balanços, previsões e projetos estão na pauta de todo citricultor.</p>
<p>O momento mostra que os preços da laranja procuram Papai Noel em pleno voo: o mercado interno de fruta in natura compra a caixa de 40,8 kg a R$20,00, na roça. Há pouca fruta no Estado de São Paulo, cujos mercadistas têm buscado laranja madura e de qualidade no vizinho Goiás na faixa de R$20,00/R$21,00/cx, colhida e carregada.</p>
<p>Para janeiro, tem gente achando que a escassez da fruta será máxima, e o que for redondo e alaranjado valerá ouro. As leis de mercado fazem o ajuste, pelo preço, da quantidade ofertada à quantidade demandada. Na escassez extrema, o que era commodity passa à condição de &#8220;exclusivo&#8221;, valorizado como os bens mais raros do mercado. </p>
<p>As estatísticas incompletas, por vezes truncadas, fazem com que a gente continue repassando informações, sem garantias, mas com as devidas ressalvas, na medida em que as escuta: os estoques brasileiros de passagem de suco estariam 35% menores que na safra 2009/2010 e, em função da quebra de produção na roça e de rendimento industrial, devem permanecer baixos para a próxima. Se há dias, acreditava-se que as indústrias lutariam por uma redução dos preços da caixa de laranja, para abaixo dos R$15,00/cx, na próxima rodada de negociações, hoje admite-se que os valores deverão manter, pelo menos, o mesmo patamar.</p>
<p>Já expectativas nos EUA de uma produção agrícola 9% maior que a da safra passada, de baixo consumo interno e estoques equilibrados de suco de laranja, não deixam antever mudanças significativas no preço da commodity.</p>
<p>Recentemente recebi a notícia de que a Coca Cola investe em financiamento de pomares de laranja em países do Mediterrâneo, tais como a Turquia. É a busca de garantia de fornecimento, de qualidade, de rastreabilidade. Nos EUA, a mesma Coca Cola e a Cutrale estão destinando, cada uma, US$1,5 milhão a um fundo de pesquisa da Universidade da Flórida para o combate ao greening.</p>
<p>Destas informações tiro duas vertentes de reflexão: uma lembrando que desde a Alellyx, criada e vendida pelo grupo Votorantim, da Citrovita, não se tem notícias de investimentos privados de monta em pesquisa citrícola no Brasil; outra que, em tempos de busca de harmonização, coesão e entendimento entre “elos da cadeia”, seria bom contar com a participação e orientação, neste nosso foro, das grandes &#8220;consumidoras&#8221; e distribuidoras de suco de laranja, maiores responsáveis pela propaganda e estímulo, ou não, ao seu consumo no mundo, Coca Cola, Pepsi, entre quantas mais houver. O poder e a influência que estas empresas detêm no setor, justificam sua manifestação. Há muito o que oferecer para a estabilidade e planejamento do segmento.</p>
<p>Por fim, trago mais uma notícia de pesquisa desenvolvida, em parte, pela Universidade da Flórida, que indica que um fungo, cuja ocorrência é natural, parasita o psilídeo transmissor da bactéria do greening. Denominado <em>Isaria fumosorosea</em>, o fungo seria aplicado sobre cartões com cheiro e cor atraentes para o psilídeo que, a partir deste contato, o espalharia pelo pomar de modo a contaminar seus ovos e ninfas.</p>
<p>Seria muito bom que, na esteira das informações oferecidas pela CitrusBr e debatidas agora em eventos nas áreas citrícolas do Estado de São Paulo, a indústria divulgasse qual sua contribuição para a pesquisa que garantirá a sobrevivência do setor que ela lidera.</p>
<p>É o momento, já que todo começo de ano é propício às boas intenções, para o citricultor mostrar que entende a importância de fomentar e financiar a pesquisa de interesse do setor produtivo como um todo, cobrando o poder público federal e estadual prioridade para a área, mas, também, contribuindo diretamente para ela, como fez o canavieiro que hoje colhe os resultados de investimentos com o lançamento de variedades de plantas adaptadas às diversas necessidades e condições de clima e solo, com novos mecanismos eficazes de combate a pragas e doenças, e com a descoberta de aplicações e mercados alternativos para seu produto.<br />
Se o benefício é de todos, não será de outros a responsabilidade.</p>
<p>Desejo a todos que tenham um bom período de festas. Agradeço como citricultor, muito sinceramente, a participação de todos, nos variados foros, que fizeram o debate produtivo da citricultura neste ano de 2010. Foi aí que vimos nascer a possibilidade de união e harmonização do nosso setor produtivo. Por fim, faço uma homenagem especial ao Secretário João Sampaio que agora deixa o cargo, mas empenhou-se para a criação do Consecitrus e, ineditamente, dialogou diretamente com o produtor aqui no Agroblog. Que tenha sido a inauguração de um novo tempo de boas práticas nas relações entre poder público e cidadãos. Que possa continuar contribuindo e participando da citricultura, inclusive neste nosso espaço aberto.</p>
<p>Feliz Natal! Saúde, paz e prosperidade em 2011!</p>
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		<title>CITROS &#8211; Paulo Sader</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Dec 2010 05:22:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Agroblog.com.br</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em andamento Começo este artigo dirigindo-me ao Eduardo da Palma, de quem estive a uma cadeira de distância no evento do dia 29, em Bebedouro, sem saber que era ele o leitor a quem devia um comentário desde o último artigo. Foi uma pena não termos tido a oportunidade de, pessoalmente, trocar ideias. Aproveito, hoje, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><strong>Em andamento</strong></h2>
<p>Começo este artigo dirigindo-me ao Eduardo da Palma, de quem estive a uma cadeira de distância no evento do dia 29, em Bebedouro, sem saber que era ele o leitor a quem devia um comentário desde o último artigo. Foi uma pena não termos tido a oportunidade de, pessoalmente, trocar ideias. Aproveito, hoje, pra falarmos do sistema de pagamento da borracha e do evento promovido pela Associtrus.</p>
<p>Eduardo, aqui no Agroblog, desde que se começou a falar do Consecitrus, mencionamos o mecanismo de pagamento adotado pela heveicultura em pelo menos duas circunstâncias: o Heiko Hossmann, no dia 24/08/2010, com um artigo intitulado &#8220;Transparência na formação de preços&#8221; e, no dia 26/08/2010, eu com o &#8220;Pax heveícola e pax citrícola&#8221;. </p>
<p>Com as mazelas próprias do setor e com a evolução de um mecanismo que foi posto em andamento, o pessoal da seringueira faz seu planejamento com debates, dados relativamente confiáveis, e consciente de que o sistema não é uma obra acabada, tem de sofrer ajustes à medida em que é usado.</p>
<p>Em Bebedouro, o Marco Antonio dos Santos disse que o Consecana não é o melhor, mas serve de balizamento. O José Osvaldo Junqueira disse que o Consecitrus começou a ser discutido de trás pra frente, sobre uma proposta da indústria e do Consecana que regula setores tão diferentes que os benefícios, talvez, não sejam tantos quanto espera o produtor. Alguém ainda referiu-se às modificações que se buscam, depois de 13 anos de existência, na formatação do Consecana para observar que o sistema tem falhas. Mas quem não tem?</p>
<p>A mim parece que se tem exigido muita originalidade da citricultura. Novos nomes, novos problemas, novas soluções. Uma nova roda! Neste sentido, sem querer ser arrogante de achar que tudo é simples, mas também sem pretender que a citricultura exige soluções exclusivas, as experiências de outros setores deverão ser sempre muito bem vindas, buscando as adaptações necessárias. Meu pai costuma dizer que o aprendizado é dolorido, mas você pode escolher: aprender batendo a própria cabeça ou a cabeça do outro.</p>
<p>O maior fator de bloqueio para a evolução do projeto de uma citricultura mais harmônica é, talvez, o nível de expectativa e exigência relativa à perfeição do projeto, antes de ser posto em prática. O debate que aconteceu em Bebedouro, eu nunca tinha presenciado. Houve ironia, houve exasperação, houve inconformismo, houve força e houve ponderação, divergências e até contradições, mas em nenhum momento vi falta de respeito ou falta de disposição para negociar.</p>
<p>As conclusões são de que há muitos pontos para se detalhar antes da adoção do Consecitrus, que os produtores precisam esgotar suas dúvidas para não cair num novo contrato padrão, por isso, o anfitrião, Flávio Viegas, disse acreditar que o Consecitrus está longe. De fato, o produtor precisa se manifestar e esclarecer-se. Os meios para tanto estão, como poucas vezes, sendo colocados à sua disposição.</p>
<p>Cada vez que escuto produtores falando do Consecitrus, fora das reuniões formais, tenho a impressão de que não querem uma fórmula para estabelecer preço mínimo que se torna preço máximo e é coisa pra governo, que lhes interessa saber valores e preços de referência para balizar raciocínio, mas que, a negociação de preço, querem cada um fazendo a sua, mantendo a oportunidade, ou a ilusão, como preferir, de ganhar dinheiro nos picos de demanda, como todo produtor de commodities. Querem, como faz a Apabor, um referencial de preço com base na venda; interlocução gerencial; ajuda no equacionamento de questões como mão de obra, transporte, fitossanidade. Como, levantou, em parte, o José Osvaldo Junqueira.</p>
<p>Voltando à sua proposta, Eduardo, usando a restrição que você mesmo ressalta, de usar o sistema da borracha em &#8220;alguns aspectos&#8221;, digo que estou de acordo. E o principal &#8220;aspecto&#8221; adotado na heveicultura é a &#8220;busca&#8221; constante, a despeito de avanços e retrocessos, de transparência entre os elos, informação confiável para todo o setor e união de esforços para conseguir aquilo que seja benefício comum à cadeia produtiva.</p>
<p>Para a citricultura se faltou criatividade pra criar o nome do seu consenso, não pode faltar pra fazer avançar o entendimento. Embora afirmado que não dá pra todo mundo montar no barco e depois ir construindo-o, vale dizer, assobiar e chupar cana, ops&#8230; laranja, acredito que já vivemos o Consecitrus. O debate vai acontecendo e o consenso vai se formalizando. Como asseverou o representante da Faesp: &#8220;não será a toque de caixa, mas não vamos nos esquivar do processo&#8221;.</p>
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		<title>CITROS &#8211; Paulo Sader</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Nov 2010 05:10:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Agroblog.com.br</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Jabuti, o leite e a laranja Chico Buarque, ganhador do Prêmio Jabuti de melhor livro do ano, numa polêmica vigorosa, tem sido instado a devolver a láurea dada ao seu &#8220;Leite Derramado&#8221;. Aproveitando o ensejo, o coordenador do Agroblog pleiteia que ME seja conferido o prêmio de jabuti do ano: nada a ver com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><strong>O Jabuti, o leite e a laranja</strong></h2>
<p>Chico Buarque, ganhador do Prêmio Jabuti de melhor livro do ano, numa polêmica vigorosa, tem sido instado a devolver a láurea dada ao seu &#8220;Leite Derramado&#8221;. Aproveitando o ensejo, o coordenador do Agroblog pleiteia que ME seja conferido o prêmio de jabuti do ano: nada a ver com literatura ou ser de Jaboticabal, tudo a ver com a lerdeza em mandar o texto da quinta somente no domingo.  Vou argumentar que não &#8220;sou&#8221; lerdo, apenas estou &#8220;cágado&#8221;&#8230; Pega muito no meu pé, este coordenador.</p>
<p>São tantas coisas: primeira comunhão de filha mais nova, formatura de filha mais velha, paletó e gravata no calor de Rio Preto. Fim de ano e seus percalços. Correr atrás de primeira parcela de 13º. Fim de safra. Pensa que é fácil escrever sobre laranja? Só penso borracha&#8230; ou em borracha. Agora, no começo da safra da seringueira, como no livro do Chico, só penso no &#8220;Leite Derramado&#8221;&#8230; nas canecas das seringueiras!</p>
<p>Em tais circunstâncias, confesso que tentei deixar um pouco de lado a atenção sobre os citros. Especialmente durante o VII Ciclo de Palestras sobre Heveicultura Paulista que aconteceu aqui em São José do Rio Preto. Não foi fácil porque, além do Heiko Hossmann, que também me lembrava o texto da semana aqui no Agroblog, encontrei um bom tanto de citricultores-heveicultores, no evento.</p>
<p>Acrescente-se que a palestra de abertura foi proferida pelo Secretário de Agricultura do Estado de São Paulo. Nela, o Secretário, ele mesmo João, entusiasmado e confiante na cultura da seringueira, lembrou o bordão agrícola da época em que o General João Baptista Figueiredo era presidente: &#8220;Plante, que o João garante!&#8221;</p>
<p>Sendo inevitável comparar as culturas, pensando nas dificuldades por que tem passado a citricultura e na presença frequente do Secretário envidando esforços para a harmonização e coordenação da cadeia produtiva, imaginei o momento, e que fosse breve, em que ele pudesse, também, emitir mensagem de exaltação e crença no êxito e prosperidade do setor citrícola: um &#8220;Plante, que o João garante!&#8221; da laranja.</p>
<p>Quem sabe o processo de instalação do Consecitrus angariará, para a citricultura, o ânimo que se vê entre produtores, usineiros, fornecedores de insumos, indústria e Secretaria de Agricultura, com a heveicultura. Aí teremos um bordão só nosso: &#8220;João, manja: bom é laranja!&#8221;&#8230; vixi&#8230; neste nível, já viu que não tem Prêmio Jabuti que chegue&#8230;</p>
<p>Ainda não confirmei, portanto poderia estar no &#8220;Boato do dia&#8221;, mas ouvi rumores de que se realizarão, em alguns pontos do interior do Estado, palestras dando a conhecer as informações estatísticas obtidas pelo estudo do Dr. Marcos Fava Neves, apresentado no mês passado em São Paulo e que está à disposição para consulta no site da CitrusBr.</p>
<p>Enquanto isto, a Associação Brasileira de Citricultores (Associtrus) faz um amplo convite para a reunião que realizará no próximo dia 29, na Estação Experimental de Citricultura de Bebedouro (SP),  para discutir as propostas de criação do Consecitrus. A entidade quer conhecer &#8220;O Consecitrus na visão dos citricultores&#8221; e pede confirmação de presença pelo site da Associação ou por telefone.</p>
<p>São atitudes de quem está a fim de encarar o desafio de recuperar e transformar a citricultura e não, simplesmente, deixar as coisas acontecerem para, depois, chorar o &#8220;leite derramado&#8221;.</p>
<p>Se tudo der certo, vemo-nos na próxima quinta!</p>
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		<title>CITROS &#8211; Paulo Sader</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Nov 2010 12:19:26 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Incertezas do caminho Caminho para o fim da safra, das mais emperradas por que já passei. As perdas com pinta preta, com a estiagem, devem ultrapassar bem os 20%. Já é quase hora de passar a régua neste ano e antever o próximo. As chuvas têm sido regulares e seus rigores, por enquanto, vêm caindo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><strong>Incertezas do caminho</strong></h2>
<p>Caminho para o fim da safra, das mais emperradas por que já passei. As perdas com pinta preta, com a estiagem, devem ultrapassar bem os 20%. Já é quase hora de passar a régua neste ano e antever o próximo.</p>
<p>As chuvas têm sido regulares e seus rigores, por enquanto, vêm caindo fora da fazenda. A florada veio um tanto tarde, mas os chumbinhos ainda estão na árvore. O calor é que se mostra intenso e ameaçador da produção do ano que vem. Os fungos parecem controlados. Mas tanta vegetação apetitosa deve estar provocando &#8220;<u>ptialismo</u>&#8221; em alguma praga diferente, além das principais, daquelas consideradas secundárias enquanto não resolvem se reproduzir exponencialmente e assumir posição de destaque e de sócia no pomar. Todo ano tem sido assim: ora lagartas, noutro ano cigarrinhas do ramo, ou ainda besouros&#8230; </p>
<p>Fora da biologia, embora meu contrato de venda de laranja não seja nominado em moeda americana, a praga que incomoda é financeira: o dólar e o que se fará com ele e por ele. A situação do mundo, esperando que os americanos superem, finalmente, seus graves problemas econômicos, sugere apelo a uma nova onda de protecionismo. A salivação do citricultor, diferente dos insetos que devoram o pomar, é por estresse e temor. Temor de que a fraqueza do dólar levante as cotações do suco de laranja na Bolsa, como das demais commodities, mas desestimule a demanda já reduzida pela bebida na Europa e nos EUA. Estresse por imaginar que esta possa ser a alegação para caírem os preços da fruta nos contratos a se firmarem para a próxima safra. </p>
<p>Internamente, o caso Banco Panamericano, embora não afete diretamente o consumo da população, faz lembrar, pela faixa de atuação do banco, do alto endividamento das famílias e do risco envolvendo o comportamento do mercado interno. Mercado que, aliás, temos cantado e visto como alternativa necessária para escoar a produção de laranja face à mencionada queda da demanda mundial pelo seu suco e para garantir renda ao citricultor. </p>
<p>Em meio a tantas incertezas do caminho, não podemos perder a atenção na manutenção do compromisso e das atitudes das três principais entidades representantes dos produtores, a Associtrus, a Faesp e a SRB, para dar seguimento à criação da Unicitrus. A mais recente boa notícia é a deliberação pela contratação de assessoria, frise-se, &#8220;técnica e jurídica&#8221; que permitirá a harmonização dos ideais e dos pleitos das 3 entidades, que não são homogêneos. A consultoria, por suas características &#8220;técnica e jurídica&#8221;, dá força para que o Consecitrus, com uma interlocução organizada e equilibrada do lado do setor produtivo, caminhe com transparência, segurança e lealdade, na direção da sustentabilidade da cadeia citrícola.</p>
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		<title>CITROS &#8211; Paulo Sader</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Nov 2010 06:53:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Agroblog.com.br</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8220;Tudo nos mínimos detalhes&#8221; Aqui no interior, ouvi muitas considerações sobre a primeira estimativa de safra de laranja para São Paulo, realizada pela CONAB, do Ministério da Agricultura, em parceria com a Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo. Como é fácil criticar, foram frequentes as críticas. Com o descompasso entre a relevância do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><strong>&#8220;Tudo nos mínimos detalhes&#8221;</strong></h2>
<p>Aqui no interior, ouvi muitas considerações sobre a primeira estimativa de safra de laranja para São Paulo, realizada pela CONAB, do Ministério da Agricultura, em parceria com a Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo. Como é fácil criticar, foram frequentes as críticas. Com o descompasso entre a relevância do setor para a economia estadual e nacional e a atenção que, normalmente, lhe atribui o poder público em geral, inclusive na geração de informações confiáveis, a maioria cedeu à tentação de dizer, no mínimo, que &#8220;vem tarde&#8221;. Mormente quando o primeiro levantamento estatístico da safra se realiza quase no encerramento da mesma. Houve quem, ansioso pelo futuro e com a atual safra já quase descarregada das árvores, acreditasse que a estimativa anunciada pela CONAB se referia à safra cujas flores ainda perdem suas pétalas, 2010/2011. Esta, porém, deve ser objeto de estimativa do próximo levantamento, neste mês de novembro, segundo a Secretaria da Agricultura de SP. Mas o caso coloca luzes sobre como é a emissão e a recepção das informações no agronegócio em geral, e no setor citrícola de modo particular. É preciso que tudo seja à maneira do personagem &#8220;Seu Explicadinho&#8221;, do falecido humorista Roni Rios: &#8220;nos míííínimos detalhes!&#8221;</p>
<p>Mas havemos de louvar a iniciativa. Esperamos que pegar o bonde da safra andando sirva para a CONAB, na sua parceria com a Secretaria Estadual de Agricultura, engatar os levantamentos da próxima safra com o método e os mecanismos já ajustados, garantindo que os números publicados constituam &#8220;A&#8221; estimativa oficial, crível, confiável. No momento em que vivemos a reconstrução das pontes e da confiança entre os elos da cadeia produtiva, é preciso que tudo se faça com cautela e precisão.</p>
<p>Aqui cabe uma menção à intervenção feita pelo Renato Queiroz no último artigo. Inicialmente, Renato, já não precisa chamar este nosso espaço de &#8220;meu&#8221; blog. É tempo de todos entenderem-no como o blog da &#8220;citricultura&#8221;, o &#8220;nosso&#8221; foro de debate virtual. Neste sentido, sejam todos estimulados a trazer as considerações que entenderem importantes para dividir com os demais membros do setor. Continuando: o próprio Secretário João Sampaio mencionou, e mais de uma vez, a falta de colaboração tanto da indústria como de alguns grandes produtores com a coleta de dados que resultassem em informação de qualidade. Parece, contudo, que não precisaremos mais lastimar a falta de colaboração nas futuras estimativas de safra. Na vigência do Consecitrus, além de não haver espaço para o roto falar do rasgado, o sujo do mal lavado, espera-se que desapareçam as razões que as indústrias e alguns grandes produtores veem para desconfiar da segurança do sigilo por parte dos pesquisadores e dos analistas. A Citrusbr, de sua parte, já firmou compromisso oficial com o IEA &#8211; Instituto de Economia Agrícola &#8211; para que, a partir de 2011, seja feito o levantamento &#8220;de forma cooperativa e com metodologia nova&#8221;. Tudo conforme o espírito renovador que orienta o momento de criação do Consecitrus que pressupõe, inclusive, informações estatísticas claras e confiáveis. </p>
<p>Mais uma vez falando da construção do Consecitrus, o Valor Econômico noticia a iniciativa do Sr. Lair Antonio de Souza de apresentar uma proposta de montagem do Unicitrus. Na raiz da sua proposta está a necessidade de termos dados confiáveis sobre a produção. Ainda mais se a proposta contemplar a representação por árvores plantadas, árvores em produção, caixas produzidas e não por produtor. Como dito acima, o produtor é um desconfiado pela própria natureza e pelas circunstâncias históricas do setor. Então, se a Unicitrus se propuser a ser de todos os citricultores, é importante que se debata o modo de representação do produtor de tal sorte que, garantindo voz a todos em suas peculiaridades, seja assegurada a legitimidade desta entidade e, consequentemente, do próprio Consecitrus. Para ter a participação do produtor, e seu respaldo e força, a entidade que quer representá-lo precisa ser transparente e dizer-lhe tudo com clareza. Afinal, &#8220;ele gosta das coisas bem explicadinhas. Tudo nos seus mííííínimos detalhes!&#8221;. </p>
<p>Lembrando um pouco do momento histórico recente, deixo para reflexão dos citricultores uma das frases que mais li durante a campanha presidencial: quem não participa do processo político porque não gosta de política estará reduzido à condição de ser governado por quem gosta.</p>
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		<title>CITROS &#8211; Paulo Sader</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Oct 2010 05:56:24 +0000</pubDate>
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			<content:encoded><![CDATA[<h2><strong>As cutículas da citricultura</strong></h2>
<p>Em casa, as crianças não roem as unhas, tiram a &#8220;pelinha&#8221;&#8230; há algum tempo, mais na semana passada, os elos da cadeia produtiva destruíram suas cutículas na ansiosa expectativa dos fatos e reuniões que culminaram na assinatura do protocolo de intenção para criação do Consecitrus. Os principais temas da agenda citrícola estavam em pauta para serem debatidos sem muita papa nas línguas.</p>
<p>Para o dia 20, em São Paulo, aguardava-se o grande evento citrícola do ano: o Seminário realizado pelo Jornal Valor Econômico sobre os rumos da atividade, em que a CitrusBr, com algum atraso, compreensível em razão da importância e do tamanho do desafio, cumpria a promessa de mostrar um retrato completo da citricultura que pudesse servir de consulta e base para as futuras negociações e decisões empresariais dos envolvidos no negócio. Reuniram-se quase 500 pessoas, talvez uns 90% do PIB citrícola. Os dados e informações produzidas pela equipe do professor Marcos Fava Neves estão à disposição para consulta e estudo, acessíveis a quem desejar.  Cada manifestação mereceria um texto diferente. De modo geral, tudo foi reproduzido na imprensa. As notícias do consumo e da distribuição não são as melhores. A concentração da produção no sul de SP levará à migração provável de alguma unidade industrial para a região por economia de frete, redução da emissão de carbono. A pegada de sustentabilidade da cadeia produtiva deve começar a importar. A harmonização do setor permitirá pressionar o governo eficazmente para colocar o valor fundamental, o câmbio, no devido lugar, mas esta harmonização é fruto da constância e perseverança, sempre lembrando que é muito desproporcional o que o Estado oferece para a proteção do setor comparado a tudo que o setor traz para o país.</p>
<p>No dia seguinte, 21, em Araraquara, o Fundecitrus recebia aproximadamente 300 pessoas para palestras cujo tema era &#8220;Avanços no Manejo do HLB (Greening) na Citricultura de São Paulo e da Flórida&#8221;, com a participação de técnicos americanos e brasileiros. Muitos dos participantes vieram do evento na capital. A grande ênfase foi para o manejo regional e a formação de grupos para a sua realização eficaz. Depoimentos espontâneos de produtores já envolvidos na criação e funcionamento destes grupos regionais de combate foram o ponto alto para muitos dos presentes. Bons resultados foram relatados entre os que já fazem pulverização conjunta ou simultânea de inseticidas. Os grupos, de fato, são mais de 200, com 40% das árvores sendo tratadas neste sistema. Mas, as aplicações aéreas, que agilizam, barateiam e dão maior cobertura, parecem já estar sofrendo restrições por parte do Ministério Público. </p>
<p>No dia 25, finalmente, sob a coordenação do Secretário da Agricultura do Estado de São Paulo, João Sampaio, foi firmado um protocolo de intenção para a criação do Consecitrus. Muito justamente, as entidades que assinam este protocolo passam a ser consideradas membros natos do Conselho. Foram elas, por seus representantes, Gastão Crocco pela SRB, Marco Antonio dos Santos, pela Faesp, Douglas Kovarick, pela Associtrus, e Christian Lohbauer, pela Citrus Br, que envidaram esforços para a concretização deste primeiro passo. São, portanto, responsáveis e interessadas em que o caminho seja percorrido. Devem cuidar, com a criação do Unicitrus, ou o nome que se venha dar à representação dos produtores no Consecitrus, que novos participantes se juntem ao grupo para enriquecer o debate e fortalecer a citricultura. </p>
<p>Algumas considerações do período: li notícias de que o Consecitrus, entre outras coisas, regularia o preço da fruta. Esta informação não me parece muito exata. Seu objetivo seria de elaborar políticas e orientações para o setor, oferecendo parâmetros e promovendo melhor distribuição da renda pelo elo produtivo. Foi mencionado, também, um estranhamento na &#8220;velocidade&#8221; para criar o Conselho. Mas ressalto que o seu patrono e peça fundamental, João Sampaio, deixa, em tese, o cargo em dezembro próximo e, no momento, pelos bons preços, os ânimos apaziguados permitem um debate mais sereno e produtivo. O Dr. Gesner de Oliveira, ex-presidente do Cade, na sua palestra, fez menção interessante a um ângulo da questão concorrencial no Consecitrus: se o acordo de proteção do setor, entre indústria e produtores, significasse barreiras à entrada de novos players, indústria ou produtores, ele poderia sofrer restrições no Cade.</p>
<p>Existe um conceito de que novos grupos de produtores regionais se formem, consolidem e possam, através de suas lideranças, vir a participar ativamente da criação e do funcionamento da Unicitrus. Há quem veja nos grupos reunidos com apoio do Fundecitrus, para combate regional do greening, os embriões destas associações locais. Há confiança, há facilidade de comunicação e de cobrança. Contudo, a maior parte dos produtores que já se organizaram está em áreas de maior incidência da doença. Na região norte do Estado eles ainda não se reuniram, o que poderia gerar um descompasso na representação dos produtores.</p>
<p>No capítulo ligado à fusão da Citrovita e Citrosuco, nota-se que o Cade não permitiu a associação parcial, prévia, que se viu em alguns outros casos a ele submetidos para, depois, autorizar a união com as restrições cabíveis. Não autorizou nenhuma junção de tarefas. Seria indício de uma resposta mais negativa do Cade para o pleito das duas empresas?</p>
<p>Agora é bom guardar um pouco de unhas para roer nos próximos capítulos. No dia 4/11 a Conab deve lançar seu prognóstico para a safra brasileira. A intenção é realizar 3 levantamentos por ano, ainda sem datas definidas. Oxalá os resultados destas pesquisas sejam mais certeiros que as que tentam antecipar resultados eleitorais. Por falar nisto: com responsabilidade, às urnas, neste domingo!</p>
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		<title>CITROS &#8211; Paulo Sader</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Oct 2010 18:09:21 +0000</pubDate>
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			<content:encoded><![CDATA[<h2><strong>Informação</strong></h2>
<p>O momento é de muitas palestras, eventos e encontros cujo tema é a citricultura. São oportunidades para aprender com os especialistas e debater o setor entre todos os elos da cadeia produtiva. Na próxima semana o jornal Valor Econômico com a CitrusBr promovem, em São Paulo, o Seminário &#8220;Os Desafios da Citricultura Brasileira&#8221;. Nos dias 14 e 15, na Esalq, Piracicaba, ocorre o IV Simpósio Brasileiro de Citricultura. Na quarta feira, 13, durante a ExpoRio Preto2010, aconteceu o 5º Seminário de Agronegócios que contou com palestras sobre o mercado e tendências na produção e comercialização, uma, de limão tahiti e, outra, de laranja.</p>
<p>Muitos temas são urgentes, outros são basilares e, portanto, demandam maior reflexão e debate. Nenhum, parece-me, tem sido deixado de lado.  As circunstâncias mundiais e internas que afetam uma variável econômica que nos diz respeito muito diretamente, o câmbio, que atingiu a cotação de R$1,65/US$1,00; o Consecitrus e a união de produtores; a indefinição sobre as safras de laranja americana e paulista; pragas e doenças que ameaçam nossos pomares; a elevação dos custos de produção; as maiores e mais refinadas exigências do público consumidor dos nossos produtos. Entretanto, percebe-se, já há algum tempo, o esvaziamento destas reuniões e palestras, embora elas dêem relevante contribuição para as melhores decisões dos elos da cadeia e para a coordenação dos rumos do setor. A última semana de citricultura de Cordeirópolis, comentamos à época, foi emblemática por ter sido das mais vazias já realizadas. Até os churrascos que acompanhavam os encontros técnico-comerciais promovidos pelas revendas de insumos e suas parceiras perderam poder de sedução sobre os produtores. As palestras de Rio Preto, apresentando dados das culturas e estimulando o debate para cruzar experiências comerciais peculiares do limão e da laranja, juntaram uma plateia de aproximadamente 40 pessoas, e nem metade era de produtor, salvo honrosas exceções como Da. Eliane, citricultora de Monte Azul, que viajou 100km para buscar, de graça, aquilo que é, consensualmente, o mais valioso fator de produção em qualquer ramo de negócio: informação.</p>
<p>O paradoxo da situação está em que seja tão valorizada a informação e, ao mesmo tempo, tão pouco aproveitadas as oportunidades de se obtê-la de graça, seja do palestrante, seja da rede de contatos que se estabelece no local. Para dar resultados, a informação produzida precisa circular, ser compartilhada.</p>
<p>Informação é, inclusive, parte essencial do elenco de reivindicações recolhidas pela Sociedade Rural &#8211; SRB &#8211; junto ao setor produtivo que se preocupa e manifesta-se nas negociações do Consecitrus. Saber o que é que se extrai, e quanto, como subprodutos da matéria prima entregue nas indústrias. Sendo os preços de contratos de longo prazo variáveis, eles devem estar vinculados à composição do mercado de destino do suco de laranja, é fundamental que as características destes mercados sejam do conhecimento do produtor. Pleiteando não receber, pela laranja, menos do que o custo direto de produção, impõe-se ao produtor a informação dos valores generalizadamente envolvidos no processo produtivo e da metodologia de apuração do resultado. A opção por ser remunerado por sólidos solúveis pressupõe que se conheça o mecanismo de apuração dos mesmos. Entre tantas coisas mais que se precisa saber para dar segurança às decisões de qualquer dos elos da cadeia produtiva, tudo será levado à mesa de negociação pela SRB.</p>
<p>É preciso que o setor, indústrias, Estado e produtores, disponibilizem informações amplas, precisas, práticas e objetivas. Produza-as e coloque-as para circular, como fez o Sr. Lair Antonio de Souza que, matando a cobra e mostrando o pau, lealmente cumpriu o que prometeu: abriu, na mesa, suas planilhas de custo de produção, com dados e método de confecção para avaliação.</p>
<p>Conhecimento fundamentado, difundido e acessível é o ponto de partida e o caminho para a reorganização do setor em bases que sustentem seus membros, sua coesão e sua imagem. É desta forma que saberemos quem está sentado à mesa de negociação, que setor econômico é este, que importância tem, quais demandas e quais ofertas legítimas estão em questão. Por isso precisamos comparecer e participar. É com informação verdadeira sobre quem somos que encontraremos o caminho para deixar o estado de perplexidade e afirmar, ao sairmos do buraco em que estamos, &#8220;não somos mais os mesmos&#8221;, a frase dos mineiros chilenos que encontraram, na nova oportunidade de viver, um novo modo de viver.  </p>
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