06/dezembro/2011 - terça-feira
Coluna Semanal
O que se antecipa para a próxima safra
Para ficar em nossa memória, marcando este momento de final precoce da safra de cana-de-açúcar 2011/12 do Centro Sul do Brasil, selecionamos duas notas que mostram previsões de tamanho e preço para o ano safra vindouro, que merecem ficar gravadas. Daqui a um ano poderemos voltar no tempo e identificar como foi de verdade a dinâmica deste importante setor do agronegócio e da economia brasileira.
Rabobank prevê safra de cana 2012/13 em torno de 500 mi t:
Relatório do Rabobank aponta que a safra de cana-de-açúcar 2012/2013 no Centro-Sul do Brasil ficará levemente abaixo das 500 milhões de toneladas, com uma pequena elevação ante as 490 milhões de t previstas para safra atual. É uma das menores projeções as que já foram divulgadas para o próximo período. O mercado avalia uma produção entre 510 milhões e 540 milhões de t. Apenas a consultoria Datagro trouxe algo mais pessimista para 2012/2013, com previsão entre 460 milhões e 515 milhões de t, números divulgados no dia 21 de novembro.
Segundo o relatório, “o tamanho da colheita de cana em 2012 no Brasil é a mais importante variável na equação de quanto açúcar estará disponível para exportação, de quanto será utilizado em biocombustível” e ainda que “os preços dos derivados determinarão a parcela de produção de cana que será destinada a cada um”, informa.
O banco estima que, em 2012, o preço do açúcar deve ficar abaixo do praticado em 2011, mas a queda não será tão acentuada. A cotação média deve ser de 22 centavos de dólar por libra-peso, com suporte em 18 cents e máxima abaixo de 25 cents. Na avaliação do Rabobank, o fator determinante para a cotação do açúcar em 2012 será a capacidade de o Brasil suprir o mercado mundial com a colheita da próxima safra.
Mesmo com possível estabilidade no Brasil, a safra global 2011/2012 gerará, segundo o Rabobank, 174,5 milhões de toneladas de açúcar, alta de 5% ante a temporada passada, puxada pela boa produção da Rússia e da União Europeia. A instituição financeira espera um excedente mundial de 6 milhões de toneladas de açúcar, o maior desde 2006/2007, o que, no entanto, não será suficiente para repor o déficit de 19,8 milhões de t das três safras anteriores.
O Rabobank aponta que a volatilidade permanecerá forte até metade do ano que vem, quando já será conhecido o tamanho dos volumes produzidos na atual safra 2011/2012 no Hemisfério Norte e 2012/2013 no Brasil. O aumento da demanda de importadores e a produção de etanol no Brasil darão suporte ao mercado, segundo o banco.
Já a demanda global de açúcar crescerá 1,6% em 2012, em função dos preços baixos, o dobro do crescimento porcentual de 0,8% da temporada anterior e bem maior que os 0,3% de aumento médio das safras 2008/2009 a 2010/2011. (Agência Estado, 2/12/11)
Previsão do açúcar em 2012 é de 22 centavos de dólar por libra-peso:
Aproximadamente 300 profissionais do setor sucroenergético prestigiaram o 10º Seminário sobre Produtividade e Redução de Custos na Agroindústria Canavieira, promovido pelo Grupo IDEA nos dias 30 de novembro e 1º de dezembro em Ribeirão Preto, SP. Dib Nunes, presidente do IDEA abriu o evento destacando a demanda de cana para os próximos anos. Segundo Dib, projeções indicam que: em 2020, caso 50% da frota nacional utilize etanol, a produção necessária de cana saltará para 1,2 bilhão de toneladas, e com 80% dos carros usando o combustível verde, a produção teria de alcançar 1,43 bilhão de toneladas, aumento de 150% sobre a safra atual projetada em 550 milhões de toneladas.
A palestra que abriu o 10º Seminário foi Potencialidades e Possibilidades do Mercado Mundial de Açúcar para 2012, apresentada por Eduardo da Costa Carvalho, trader da Sucden, uma das empresas líderes no mercado de açúcar – comercializa aproximadamente cinco milhões de toneladas de açúcar por ano, o equivalente a 15% do mercado mundial. Carvalho destacou a queda da competitividade do setor sucroenergético brasileiro, disse que o custo de implantação da beterraba açucareira na Europa está em R$ 2.796,30 por hectare; do preparo de solo para o cultivo da cana na Índia está em R$ 3.225,28 por hectare, mesmo contando com irrigação; e, no Brasil, a implantação no primeiro ano de cana está em R$ 5.576,69 por hectare.
Segundo o trader o maior custo da produção brasileira em relação à Europa e Índia deve-se a fatores como alto custo trabalhista em nosso País, tributação e também em decorrência da logística, Carvalho observou que para os caminhões chegarem ao Porto de Santos precisam atravessar a cidade, mais um agravante ao fato de as usinas estarem longe do porto. “A multa diária no Porto de Santos por atraso no embarque do açúcar nos navios é de R$ 60 mil”, exemplificou Carvalho. O menor custo dos fertilizantes na Europa também foi destacado pelo palestrante. “A Rússia tem solo muito fértil, além disso, a Europa apresenta grandes reservas de potássio e outros nutrientes, reduzindo consideravelmente o preço dos fertilizantes.”
Em relação ao preço internacional do açúcar, Carvalho disse que em 2012, a expectativa é que se mantenha por volta de 22 centavos de dólar por libra-peso e, nesse valor, as projeções indicam que por volta de maio de 2012, produzir etanol deverá estar mais vantajoso do que produzir açúcar.
A entrada de mais açúcar no mercado, decorrente da maior produção de açúcar na Rússia, que passou de 3 milhões de toneladas em 2006, para 6 milhões na atual safra (um recorde), da maior produção na Tailândia e a permanência de grande quantidade de produtores indianos no cultivo da cana – pois está mais vantajoso do que a soja, por exemplo – deve ser compensada pela redução da produção brasileira e o aumento de consumo na China que está se tornando um grande importador.
Eduardo ressaltou a importância de o Brasil reduzir seus custos, disse que o açúcar brasileiro apresenta um granulo mais fino e melhor qualidade do que seus concorrentes, por isso, alguns consumidores preferem o nosso produto, mas a maioria dos compradores valoriza apenas o preço, a competitividade. E, hoje, colocar o açúcar indiano no Iêmen, o principal destino do produto brasileiro, sai 20% a menos que o produzido no Brasil.
Além de incentivar medidas para redução de custos, Carvalho também estimulou o setor a aumentar a produção, disse que o consumo de açúcar na China vem crescendo de forma consistente e se esse país dobrar seu consumo atual, que é de 14 milhões de toneladas, vai faltar açúcar no mundo. (Assessoria de Comunicação, 5/12/11)
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do código penal. Conheça a Lei 9610.













