Pasturas Beef

11/agosto/2009 - terça-feira

Coluna Semanal

Banner

FEIJÃO – Marcelo Lüders

Feijão não é feito em forminha

O mercado de feijão carioca manteve-se na última semana estável com negócios ao redor de R$ 70 à 75 ao produtor por saca de 60 kg. Os produtores estão negociando lentamente, pois não estão contentes com estes preços, que imaginavam que ficariam no mínimo em R$ 90. Esta situação deve desestimular o plantio da primeira safra de 2009/2010. A situação não é diferente no feijão preto, que manteve-se bem ofertado com negócios em São Paulo ao redor de R$ 75 por saca de 60 kg.

Além do mercado que anda de lado, uma praga das lavouras está fugindo do controle e pode atingir o custo do feijão ao consumidor. Trata-se dos percevejos (Nezara viridula, Neomegalotomus parvus, Piezodorus guildinii), que mesmo em volume pequeno nas lavouras, podem danificar os grãos e diminuir a produtividade em até 33%. Esta praga é mais intensa em Goiás, Minas Gerais e São Paulo, mas ataca lavouras em todo o território nacional, e também lavouras na Argentina. Algumas espécies de percevejo podem atacar não somente o caule mas o próprio grão, transmitindo um fungo que causa mancha nas sementes. Ocorre que os fiscais do Ministério da Agricultura para identificar se um grão foi ou não atingido pelo percevejo, ao constatar mesmo a mais leve ruga no grão, decidem abri-lo e ao perceber o vestígio de ataque de percevejo desclassifica o lote inteiro de mercadoria rebaixando o tipo da mercadoria. Assim, inúmeras carretas de mercadoria estão sendo devolvidas pelos empacotadores, ocasionando um grande prejuízo a produtores e cerealistas. Em outras circunstancias o feijão empacotado é desclassificado já na gôndola do supermercado, mesmo tendo classificação prévia em outro local do território nacional onde o problema não foi identificado, e nestes casos são aplicadas pesadas multas sobre o empacotador.

Interessante é que lotes de feijão argentino que foram classificados na fronteira, ao chegar no empacotador é desclassificado. Então fica a pergunta, quem está certo? Como multar o empacotador que não pode abrir grão por grão para saber se tem ou não vestígios de ataque de percevejos?

Não estamos tratando de um produto industrial que é feito em forminha. Depende tão somente da natureza e, assim como não seria razoável aplicar multas sobre o produtor que esta produzindo este feijão, não se pode imputar ao empacotador este ônus. Cabe ressaltar que ao consumidor não existe registro de qualquer tipo de inadequação ao consumo. O IBRAFE (Instituto Brasileiro do Feijão) mobilizou a Câmara Setorial da Cadeia produtiva do Feijão e marcou uma reunião com diversos departamentos do Ministério da Agricultura nos dias 18 e 19 de agosto para buscar um acordo sobre esta delicada situação.

É PROIBIDA A REPRODUÇÃO DESTE ARTIGO EM QUALQUER MEIO DE COMUNICAÇÃO, ELETRÔNICO OU IMPRESSO, SEM A CITAÇÃO DAS DEVIDAS FONTES (www.agroblog.com.br + Autor).
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do código penal. Conheça a Lei 9610.