24/janeiro/2012 - terça-feira
Coluna Semanal
IBOV: muita calma com as previsões de começo de ano
Bastou o IBOV iniciar 2012 recuperando parte das perdas do ano anterior, para começar a temporada de especulações sobre a cotação do índice para o final deste ano. Os 10% de valorização do principal índice de referência do mercado acionário brasileiro, fizeram com que analistas, assessores de investimentos, jornalistas e investidores, tirassem de suas gavetas suas projeções – ou seriam previsões – mais otimistas.
Vejo como exagerado o otimismo de alguns. Já é possível encontrar participantes do mercado “prevendo” o IBOV em mais de 70 mil pontos ao final deste ano. Mas também não concordo com os “profetas do apocalipse”, que “apostam” no Índice Bovespa caindo aos níveis da crise de 2008. Enxergo exageros dos dois lados. Não, não estou em cima do muro. Apenas prefiro analisar as coisas com mais calma, sem se deixar influenciar pelo otimismo desenfreado das primeiras semanas do ano, ou pelo pessimismo daqueles que vêem na crise europeia, o início do fim.
Na última semana escrevi sobre as perspectivas para o mercado em 2012. E é me baseando nela que acredito que, entre altas e baixas, o IBOVESPA encerre o ano próximo aos 63 e 65 mil pontos. No cenário atual, temos, no exterior, ano de eleições e crise nas principais economias do mundo. No Brasil, baixo crescimento (ou alguém acha que um país deste porte crescer 3,5% é bom?), inflação em alta (o IBGE acabou de divulgar: prévia da inflação acelera para 0,65% em janeiro. Em 12 meses, acumula alta de 6,44%) e juros altos.
Está longe de ser um cenário apocalíptico, mas apontar o IBOVESPA acima dos 70 mil pontos ao fim deste ano me parece aposta e/ou previsão. E na Economia e no Mercado Financeiro, estes me parecem ser termos inapropriados. Afinal, quem aposta não tem certeza e quem prevê, não conhece. Podemos usar as perspectivas mencionadas no texto da semana anterior para projetar o que pode acontecer em 2012. Quando projetamos, também não temos plena certeza de que as coisas ocorrerão como acreditamos. Mas a verdade é que, quando temos um plano, conseguimos nos prevenir melhor até nas situações adversas.
Diante do cenário exposto, fica difícil, em minha opinião, projetar o IBOV próximo ou acima dos 70 mil pontos ao final de 2012. E você, como projeta o IBOV para o fim deste ano?
Uma ótima semana!
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