Pasturas Beef

06/abril/2011 - quarta-feira

Coluna Semanal

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SOJA – Ricardo Lorenzet

Verde, amarelo, vermelho!

Após grandes emoções no mercado agrícola, reflexo do relatório do USDA da última quinta-feira (31/03), o mercado da soja literalmente “ficou para trás” frente aos vizinhos milho e trigo.

A postura mais cautelosa dos agentes neste momento decorre de uma série de pontos interessantes que merecem atenção na análise, especialmente, de curto prazo.

Para a soja, o USDA não trouxe surpresas nos dados de estoques trimestrais e intenção de plantio, que embora abaixo das expectativas do mercado foram insuficientes para uma interpretação bombástica como o observado no mercado de milho (sim, muitos temiam queda expressiva na intenção de plantio em função da rentabilidade relativa soja X milho). É fato que, com a baixa disponibilidade no momento e uma queda na área a ser cultivada em 2011, existe uma perceptível dificuldade em reposicionar os estoques norte-americanos em patamares confortáveis, mesmo com condições climáticas normais. A questão que paira no ar após o relatório é: qual a novidade deste quadro para a soja?

De fato, a cautela dos agentes assimila, além da ausência de surpresas nos dados do USDA, uma percepção de demanda mais fraca juntamente à pressão sazonal da oferta sul-americana. Com isso, especialmente os agentes não comerciais, direcionam suas atenções ao milho no momento, temendo precipitar-se diante do cenário fundamental da soja.

Na semana passada, comentamos o enfraquecimento da demanda, porém, o quadro intensificou-se nos últimos dias, reflexo de margens negativas na China, resultando em cancelamentos de embarques nos EUA e a rolagem dos mesmos para a América do Sul ou para a safra 2011/12. Da mesma forma, nos EUA, as margens recuaram expressivamente, refletindo principalmente a dificuldade de alocação de farelo. Não é por menos que o farelo segue perdendo terreno para o óleo em Chicago e a soja perdendo fôlego diante dos derivados, especialmente pós USDA.

A problemática é que, diante deste quadro, mesmo com estoques trimestrais inferiores ao registrado no mesmo período de 2010, especula-se que os estoques finais norte-americanos da temporada 2010/11 possam ser revistos para cima nos próximos relatórios do USDA (lembre-se que inclusive elevamos as estimativas de estoques iniciais na semana anterior ao projetar o quadro de oferta e demanda 2011/12), refletindo um menor consumo interno e menor fluxo de exportações pela concorrência com a soja sul-americana que trabalha a prêmios depreciados no momento.

Ao mesmo tempo, a expectativa de um quadro climático mais úmido e frio nas próximas semanas, especialmente sobre o norte e leste do cinturão produtor norte-americano, resultam em especulações de que o plantio de milho será penalizado e, com isso, parte da área a ser cultivada com o cereal migraria para a soja, facilitando a recuperação dos estoques no próximo ano-safra.

Mudança de cenário de uma semana para outra? Pouca coisa mudou no mercado da soja, mas pontos de suporte importante não são suficientes para manter a intensidade do fluxo especulativo e comercial no momento. O fato é que, seja de alta ou queda, uma tendência depende de “alimento constante”, ou seja, fatos novos, especialmente com uma “íngreme caminhada” até então. A demanda referencia um período complicado e isso merece muita atenção especialmente com o fluxo especulativo sendo atraído por outros mercados em tese fundamentalmente mais interessantes. Mesmo assim, seria extremamente precipitado trabalhar com a percepção de que isto será definitivo ao mercado da soja. Vivenciamos alterações importantes na elasticidade da demanda a preço nos últimos anos e, mesmo com estoques norte-americanos possivelmente um pouco mais confortáveis, o mercado da soja terá um trabalho árduo pela frente assimilando riscos a produtividade das lavouras norte-americanas 2011/12 e, a necessidade de incentivo ao plantio na safra nova na América do Sul, diante de custos mais altos e um milho fatalmente atrativo.

O ponto importante no momento, que justificou este artigo mais LUZ AMARELA/ATENÇÃO é que, mais importante do que contaminar-se pela euforia é manter os pés no chão e avaliar pontos importantes sinalizados pelo mercado de soja neste momento, que demandam atenção extra ao produtor, especialmente aos mais atrasados na comercialização: as relações de troca, com margens já desenhando o estreitamento clássico de anos após rally de preços e as rentabilidades, historicamente atrativas reflexo especialmente das produtividades reportadas pelo interior do país. Esteja atento.

Bons negócios e até a próxima semana.

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