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04/março/2010 - quinta-feira

Coluna Semanal

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CITROS – Paulo Sader

Da poncã a grapefruit: pontos de ponderação

O leitor Paulo Alves fez um questionamento sobre a comercialização da poncã, em 25/02, que não foi respondido na sequencia em que foi postado, nem o será no mesmo local, dos comentários. Trago as considerações sobre o tema para o texto principal como forma de convidar e estimular outros leitores para formularmos a resposta mais adequada ao colega.

Não tenho intimidade com a negociação da poncã, mas busquei as informações que seguem: a safra ainda está muito no começo. Cada dia é um dia diferente. Cada localidade é um mercado com oferta e demanda diferentes. Há 15 dias, aproximadamente, um mercadista da região norte recebeu oferta de poncã de Fernandópolis a R$1,70/kg, mas a fruta estava muito pequena, impossível de ser colocada no comércio a este preço. Ontem, 03/03, mercadista da área de Bebedouro disse que há preços variando entre R$0,40 e R$1,00/kg, dependendo da qualidade e tamanho da fruta. A queda de valor nestes 15 dias deve-se à qualidade da fruta, influência da entrada de outras frutas precoces, como a pêra lima, no mercado, e à aproximação do período de maior oferta da própria poncã que, a partir do mês que vem, em algumas regiões do estado, entra em safra, plenamente.

A observação de alguns mercadistas, sobre pomares de poncã visitados por eles, é de que a safra deste ano está maior ou, pelo menos, mais uniforme do que em 2009. A cotação futura, porém, dependerá de muitos fatores, entre eles, a velocidade com que se escoará a produção neste começo de safra e da quantidade que restará nas árvores para atender o meio do ano. Correções na análise e/ou contribuições adicionais serão muito bem vindas. É assim que funciona o Agroblog!

Há referências não oficiais de que os casos de cancro cítrico, em algumas regiões produtoras de laranja do Estado de São Paulo, estariam aumentando. A umidade constante dos últimos meses é fator determinante no recrudescimento do ataque da doença. Daqui para frente, com a ausência do Fundecitrus das propriedades citrícolas, o produtor tende a relaxar e flexibilizar as regras de combate e controle da doença, colocando em risco o seu pomar e o dos vizinhos. Com a maior participação de mercadistas na disputa com a indústria de suco pela comercialização da safra, com suas turmas próprias rodando os pomares, a probabilidade de circulação de material contaminado entre as propriedades se eleva.

Nos EUA, por sua vez, o diretor Mike Yetter, do Departamento de Citrus da Flórida, avalia que as temperaturas por lá deverão manter-se excepcionalmente baixas nas próximas semanas, ameaça que avançará pelo mês de março. Quem sabe seria possível aplicar seu prognóstico sobre grapefruit para toda a citricultura? “No longo termo (3 a 5 anos) ele vê uma redução na colheita, mas a uma taxa de declínio muito mais lenta. Eventualmente, veremos um retorno ao incremento de produção em 5 a 10 anos, conforme a cadeia produtiva resolva seus problemas com greening e cancro”.

O rigor do inverno tem levado os preços do suco, nos últimos dias, a patamares de US$2 mil/tonelada e, segundo o consultor Mauricio Mendes da AgraFNP e do GCONCI em entrevista a Agência Estado, poderá chegar a US$2,7 mil, mas não aos US$3 mil de outubro de 2006, ponto em que a demanda por suco passa a sofrer limitações.

Uma notícia recente do site FoodBizDaily dá conta da entrada em produção de uma das maiores indústrias de suco NFC (não concentrado) da Europa. Localizada na Espanha e utilizando tecnologia Tetra Pak, pretende processar até 400 mil toneladas de citros frescos, oriundos de um consórcio de 57 produtores locais, produzindo algo como 100 milhões de litros de suco Premium para exportação. Dados bons para analisar e verificar a possibilidade de implantar coisa parecida por aqui. Estrangeiros interessados em investir, parece que há…

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Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do código penal. Conheça a Lei 9610.
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