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26/fevereiro/2010 - sexta-feira

Coluna Semanal

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COMUNICAÇÃO RURAL – Ronaldo Luiz

Lucro sustentável

“A terra, assim já disseram, é um bem que apenas tomamos emprestado daqueles que nos sucederão”. A sábia e feliz frase é do engenheiro agrônomo Fernando Penteado Cardoso, fundador da Manah, e um dos personagens mais importantes da agricultura brasileira. Quem não se lembra do slogan “Com Manah, adubando dá”? Hoje, Penteado Cardoso preside a Fundação Agrisus (Agricultura Sustentável).

Bem, escolhi a frase acima para abrir nossa conversa desta semana, que falará sobre sustentabilidade. O termo, que virou moda nos últimos tempos, é, ainda, visto com reticência por alguns. O fato é que nenhum negócio, seja qual for, prosperará se não investir numa lógica sustentável. Sustentabilidade fala do futuro, não do passado, por isso o recado do Penteado Cardoso é primoroso.

O problema é que muitas vezes “ser sustentável” está associado a perdas, não ganhos. E é justamente o contrário. Para uma pessoa, indústria, comércio, fazenda ser sustentável, primeiro precisa ser viável economicamente. Não dá para ser diferente. Fazendo uma breve alusão. É como o comportamento da máscara de oxigênio do avião. A recomendação é que primeiro você a coloque, estabilize sua respiração, para aí sim ajudar quem está com dificuldades. Uma organização sustentável parte deste princípio. Só é possível ajudar outrem (o social ou o ambiental) se você estiver bem. Caso contrário, serão dois passando necessidade.

A sustentabilidade é composta de equilíbrio ambiental, equidade social e desenvolvimento econômico. Nesta ordem. Para cuidar do meio ambiente, o indivíduo precisa antes cuidar do social, que, por sua vez, requer alicerce econômico. Desta forma, para que as empresas invistam em responsabilidade socioambiental em busca da sustentabilidade, elas precisam, antes de tudo, de uma boa situação econômica.

Mesmo uma organização do terceiro setor tem que dar lucro se quiser fazer diferença. O que ela não pode é distribuir lucro. Só sendo auto-sustentável financeiramente é que esta organização terá condições de defender sua causa. O recado vale, por exemplo, para as entidades rurais e principalmente para os produtores, para que se aproximem de seus representantes institucionais.

No universo da sustentabilidade, a certificação é um dos mecanismos mais difundidos, já que se trata de uma forma de comunicação com o consumidor para que ele dê preferência a produtos que tenham o respectivo selo.

Atualmente, o conceito arraigado é o de se pagar mais, uma espécie de bônus ou ágio, para quem investe em processos sustentáveis. Mas, o inverso também pode acontecer. E o que seria este inverso? Se uma empresa produzir em conflito com o meio ambiente ou com o seu entorno social, ela passe a pagar por isso, com este custo sendo embutido no preço ao consumidor. Ou seja, ser sustentável não será diferencial, será o padrão.

O fato é que o Brasil tem a oportunidade de crescer certo, por meio de uma matriz energética limpa e processos sustentáveis. Com isso, o país poderá ganhar duas vezes. Entretanto, terá que investir muito em ciência (Pesquisa e Desenvolvimento).

Ao desenvolver novas tecnologias, eficientes e ao mesmo ambientalmente adequadas, o Brasil poderá vender seu know-how ou projetos para quem precisa compensar a poluição que emite. É o que já existe dentro do Mercado de Desenvolvimento Limpo (MDL), apêndice do Protocolo de Kyoto. Segundo reportagem do jornal “Valor Econômico” de ontem (25 de fevereiro), este mercado movimentou US$ 125 bilhões em 2009 e a previsão é que chegue a US$ 170 bi neste ano. Isso, ressalta a matéria, sem a presença dos Estados Unidos e à revelia da insegurança jurídica que permeia este mercado.

Estima-se que em 2020, o MDL movimente cerca de US$ 3 trilhões. O Brasil tem hoje quase seis mil projetos de MDL. Quem está disposto a aumentar este volume? Até semana que vem amigos.

É PROIBIDA A REPRODUÇÃO DESTE ARTIGO EM QUALQUER MEIO DE COMUNICAÇÃO, ELETRÔNICO OU IMPRESSO, SEM A CITAÇÃO DAS DEVIDAS FONTES (www.agroblog.com.br + Autor).
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do código penal. Conheça a Lei 9610.
2 Comentários para "COMUNICAÇÃO RURAL – Ronaldo Luiz"
antonio rodrigues disse:
28/02/2010

muito bom ronaldo luiz, teu artigo diz muito sobre sustentabilidade. gostaria de ver contigo coisas para o curto prazo, o medio e o longo. neste aqui, gostaria de colocar que o brasil sera o pais da decada. para tanto teremos, por exemplo, a copa do mundo e as olimpiadas. entao teremos muito que mostrar ao mundo. e a comunicaçao tera um papel importante, claro. antonio

Edson Fernandes disse:
01/03/2010

bom dia, agradeço por enviar notícias do ramo de agronegócios suas notícias são muio importante para nós, produtores e corretores em agronegócios, sua matérias são muitos interresantes. Obrigado até a próxima notícia.

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