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05/março/2010 - sexta-feira

Coluna Semanal

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COMUNICAÇÃO RURAL – Ronaldo Luiz

A ascensão do mercado interno

O ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) divulgou nesta quinta-feira (04) estudo com projeções de produção, participação em mercados, exportação e consumo de 23 produtos agropecuários nacionais. Os números são bem otimistas.

O relatório pontua que a produção de grãos e carnes (bovina, aves e suína) deve crescer 37% nos próximos dez anos. Detalha que soja, carne de frango, açúcar, etanol, algodão, óleo de soja e celulose serão os produtos com maior potencial de crescimento.

A safra de grãos, por exemplo, deverá crescer 36,7%, passando de 129,8 milhões de toneladas em 2008/2009 para 177,5 milhões em 2019/2020. As carnes, por sua vez, deverão seguir percentual parecido, com aumento de produção estimado em 37,8%, incremento de 8,4 milhões de toneladas. A participação do Brasil nas exportações mundiais de carnes deverá pular de 37,4 % neste ano para 44,5% em 2020.

Segundo a pesquisa, três outros itens com elevado crescimento previsto são açúcar (mais 15,2 milhões de toneladas), etanol (35,2 bilhões de litros) e leite (7,4 bilhões de litros). As exportações de etanol devem crescer 222,9%, passando de 4,6 bilhões de litros, na safra 2008/2009, para 15,1 bilhões de litros, no período 2019/2020.

O levantamento destaca que o desenvolvimento agrícola no Brasil deverá ocorrer com base na produtividade, ou seja, mais produção em menor área utilizada. As projeções indicam que, de 2010 a 2020, a taxa anual média de crescimento das lavouras deve ser de 2,67%, com incremento de 0,45% na área.

No meio desta avalanche de estimativas, o que eu quero destacar é que, de acordo com o Mapa, apesar da tendência de aumento das exportações, o mercado interno será um forte fator de crescimento. Do aumento previsto para a soja e o milho, 52% e 80%, respectivamente, serão dirigidos ao mercado interno.

De acordo com o coordenador-geral de Planejamento Estratégico do Mapa, José Garcia Gasques, até 2020, o agronegócio brasileiro sofrerá dupla pressão. Segundo ele, haverá aumento do consumo interno, por conta do crescimento da renda, e grande demanda do mercado mundial.

É importante esta constatação que o mercado doméstico também será responsável pelo aumento de consumo de produtos do agro. Muitas vezes ao ser taxado como um setor com olhos voltados só para a exportação, o agro encontra dificuldades em mostrar para as massas seu valor estratégico para o desenvolvimento socioeconômico do País.

Não é das tarefas mais fáceis comunicar de maneira eficiente as ramificações positivas que as exportações oferecem ao trazerem divisas e estimularem a geração de emprego e renda. Desta forma, o agro precisa continuar investindo nas exportações, mas, simultaneamente precisa também começar a prestar mais atenção no mercado interno.

Não há como negar que o poder aquisitivo de classes C, D e E aumentou. E isso é resultado de um processo de anos, não sendo uma vitória política para este ou aquele governo. O que o agro precisa observar é que há uma nova camada de consumidores no mercado doméstico, que quer comprar. E quer comprar o quê? Além dos produtos básicos, quer produtos diferenciados, de valor agregado, manufaturados. Ao trabalho. Até semana que vem amigos.

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