Bayer

02/março/2010 - terça-feira

Coluna Semanal

Banner

ETANOL – Paulo Costa

Etanol – Uma nova relação de forças

Neste momento se encerra o primeiro e maior capítulo do processo de consolidação do setor sucro-alcooleiro-energético na economia brasileira. Com o anúncio da compra do controle majoritário das usinas da Equipav pelo até há pouco desconhecido grupo indiano Shree Renuka, chegamos a um momento de concentração que se acelerou fortemente no último semestre. Lembremos aqui que há menos de três meses este mesmo grupo comprou as usinas da Vale do Ivaí, no Paraná. Também vamos recordar que a Equipav era o último grupo remanescente de um lote de empresas declaradamente à venda e com um ativo atraente. No caso da Equipav, além de sua ótima localização geográfica e a modernidade de suas usinas, trata-se da maior produtora de co-geração de energia a partir da biomassa. Mais ainda, este negócio faz com que perto de um quarto do setor canavieiro esteja hoje com seu parque agrícola e industrial nas mãos de interesses estrangeiros.

Concentração no setor canavieiro

Então, encerraram-se aqui as oportunidades de negócios e o movimento de consolidação neste mercado? Evidentemente que não. Ainda há muita mudança por vir no setor canavieiro, com transferência de controles acionários ou de gestão, novos participantes de importância que ainda não se movimentaram ou que tem pequena parcela de atividade no Brasil, incluindo empresas petrolíferas que venham a seguir o exemplo da Shell e outros gigantes globais do setor de etanol e açúcar. Lembremos ainda que há dezenas de projetos greenfield em suspenso, alguns com a parte agrícola já implantada, que aguardam a oportunidade de serem retomados. Mas se olharmos para os grupos que se formaram neste movimento recente, vemos que a concentração da capacidade de moagem e produção de açúcar e etanol está fortemente centrada – sem ordem de grandeza – nas uniões Shell/Cosan, Louis Dreyfus/SantelisaVale e Tavares de Melo, Bunge/Moema, ETH/Brenco, Shree Renuka/Vale do Ivaí e Equipav e ainda Tereos/Guarani. Acrescente-se a estas associações os nomes da Copersucar S.A., que controla os negócios e a logística de mais de trinta usinas e da Allicom que comercializa e centraliza serviços das usinas dos grupos São Martinho, São João e Santa Cruz, todas da família Ometto. Apenas nestes nomes concentra-se uma parcela significativa, não só da capacidade de produção como de inteligência de mercados.

As empresas e grupos aqui nomeados têm características em comum que refletirão na ordem do mercado. Todas são sociedades com estrutura financeira que lhes dão acesso aos mercados internacionais de crédito a custos reduzidos, tem uma governança corporativa estabelecida, critérios de proteção ao risco bem delineados, planejamento estratégico e operacional bem definidos e estão acostumadas a atuar com forte participação em mercados altamente competitivos.

As consequências deste movimento, em particular para o etanol, vão representar uma nova ordem na relação de forças do mercado, com influência em diversos aspectos deste setor da economia. Alie-se a isto a implantação a ser vista em futuro próximo das Empresas de Comercialização de Etanol, figura jurídica e de negócios criada pela Resolução 43/09 da ANP, e fica fácil notar que este mundo já não é o mesmo da safra passada. A repercussão destas alterações na estrutura do mercado vai ter impactos desde as relações do governo com o setor até o papel da UNICA como entidade representativa dos interesses da área canavieira. Todos os participantes deste mercado devem rever urgentemente seu olhar para esta nova realidade.

É PROIBIDA A REPRODUÇÃO DESTE ARTIGO EM QUALQUER MEIO DE COMUNICAÇÃO, ELETRÔNICO OU IMPRESSO, SEM A CITAÇÃO DAS DEVIDAS FONTES (www.agroblog.com.br + Autor).
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do código penal. Conheça a Lei 9610.
2 Comentários para "ETANOL – Paulo Costa"
Juan Daniel disse:
05/03/2010

Magnífica realidade, melhores condições e oportunidades laborais. Presença nos dois lados do mercado globalizado e na próxima geração TUDO É BRASILEIRO, ou quase tudo.
Etanol nem começou ainda, prestigía a Soja e seguirá seu caminho ascendente em áreas de solos alternativos.
O verdadeiro milagre e o investimento estrangeiro apesar dos políticos e a corrupção.
Nos seus próximos 8 anos de governo Lula poderá iniciar a sua reforma agraria com biodiesel e milho regional. Nesse período teremos gás + pre-sal + etanol + Olimpíadas + Mundial + plataformas e por enquanto mais um presente energético ao maior homem de sorte: represas cheias.
Desta vez etanol não vai ser sepultado pela OPEP, temos excelentes perspectivas – vamos trabalhar e curtir!! Viva o Brasil

Paulo F. de Siqueira Costa disse:
07/03/2010

Prezado sr. Juan Daniel,
grato por sua leitura e comentário. Realmente há uma enormidade de combinação de fatores positivos que tem ajudado nosso país no caminho de um desenvolvimento sustentado. Todos sabemos que ainda há muito a se fazer em saúde, educação e – no nosso caso do agronegócio – infraestrutura adequada. Mas na economia, como na vida, os ciclos da fortuna se alternam. Por isto é preciso aproveitar as épocas de “represas cheias” para fazermos a lição de casa e estarmos prontos para qualquer nova crise. Cordialmente, Paulo Costa

Deixe um Comentário!
Nome:  *obrigatório
E-mail:  *obrigatório (não publicado)
Mensagem: