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03/fevereiro/2010 - quarta-feira

Coluna Semanal

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MILHO – Rodrigo Zobaran

Direto de Mato Grosso

Hoje escrevo aqui de Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso. No caminho de Cuiabá para cá, colheitadeiras trabalham a luz do dia e iluminam a noite na corrida para retirar a soja das lavouras, no momento em que a chuva dá uma trégua e permite o trabalho das máquinas.

Para o milho mato-grossense persiste a palavra de ordem: abrir espaço nos armazéns lotados. Esse movimento de remoção a ‘qualquer custo’ foi o ponto de partida da bola de neve que culminou na baixa acumulada do ano de quase 15% nas principais praças produtoras do país. No norte de Mato Grosso as quedas nos preços foram ainda maiores.

Máquinas iluminam a noite em MT

Por aqui podemos dizer que o milho vai continuar sendo uma cultura secundária, utilizada como mecanismo agronômico de controle de pragas e melhoramento da fertilidade e estrutura física do solo, conhecido como rotação de cultura. Isto permite o aproveitamento do residual da adubação da soja, o que muitas vezes estimula agricultores a simplesmente não adubarem.

Desta forma, a maioria das lavouras de milho do centro-oeste registra produtividades muito aquém do potencial genético da planta, mostrando claramente a forma secundária como é conduzido o cultivo deste cereal. E os preços são um reflexo deste ciclo vicioso de baixo investimento em função dos baixos preços pagos pelo milho neste estado, que amadurece como o maior exportador de milho para os demais estados consumidores.

O mercado de milho brasileiro segue pressionado, mas estes preços baixos devem exercer pouca influência no processo decisório de plantio, baseado nos fatos que citei acima. Segundo a consultoria Safras&Mercados, o Brasil pode ofertar até 58,972 milhões de toneladas no mercado interno na atual safra. O número leva em conta uma produção de 50,675 milhões de toneladas, estoque inicial de 7,327 milhões de toneladas e importação de 970 mil toneladas. Do total produzido, a avicultura de corte deverá demandar 16,918 milhões de toneladas, seguida da suinocultura, com 7,150 milhões de toneladas. A bovinocultura de leite e confinamento deverá consumir 2,414 milhões de toneladas.

O dólar tenta uma escalada altista em função do fluxo negativo do capital estrangeiro, e isso pode fortalecer as cotações do milho, desde que os preços internacionais se sustentem. A pressão de venda deve se fortalecer no terço inicial da colheita, quando será definida a estratégia dos consumidores, que não mostram nenhum interesse em antecipar a compra além do trivial de consumo imediato.

Desejo a todos uma boa semana.

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6 Comentários para "MILHO – Rodrigo Zobaran"
Eduardo von Atzingen disse:
03/02/2010

Rodrigo: Esta situação é muito parecida nas regiões produtoras de Goiás, Tocantins, e do Sul do Maranhão. Não temos estradas, não temos armazéns, estamos a beira de um apagão logístico, por incompetência do goveno. Bom de propaganda, mas péssimo de ação, decisão. O produtor rural que se vire sozinho, pois se depender do governo tá na chapada.

Rodrigo Zobaran disse:
03/02/2010

Caro Eduardo. Durante o dia de hoje estive com produtores em Nova Mutum, Lucas do Rio Verde e Sinop. Muitos comentavam que apesar dos preços que eles qualificam como ‘ridículos’, todos vão plantar a safrinha como forma de manter a estrutura girando: funcionários, máquinas e silos. Ao longo da BR 163, varios armazéns estão em construcão, confirmando a deficitaria capacidade de armazenagem do país que já aceita o batismo de Celeiro do Mundo.

Telmo Heinen disse:
03/02/2010

Está na hora de participar da campanha para instalação de Usinas de Álcool de Milho no Mato Grosso. Condições necessárias e suficientes:
1) O milho safrinha é plantado muito mais em função de condições técnicas (agronômicas) do que econômicas;
2) O Zoneamento agroclimatológico da cana-de-açúcar irá alijar grandes áreas da Amazônia LEGAL para cultivo desta gramínea;
3) É ilusão encontrar solução logística para EXPORTAR milho de tão longe dos Portos e;
4) É preciso mudar a LEI que obriga todo álcool trafegar da Usina para as ‘bases’ da Petrobrás em Paulinea, Betim, Araucária, Duque de Caxias etc… esta obrigatoriedade deve permanecer apenas para o álcool anidro, o hidratado deve ser distribuido a exemplo do que acontece no município de Ribeirão Preto. Direto da Usina para os Postos. Poucos brasileiros sabem deste PASSEIO inútil do álcool pelo Brasil afora… além disto, a diferença de custo com a cana, sumiu…
Att, Telmo Heinen – Formosa (GO)

Paulo F de Siqueira Costa disse:
04/02/2010

Rodrigo, muito bom seu comentário e muito interessante a colocação do leitor Telmo Heinen. Na verdade o ideal para o Estado do Mato Grosso seria a instalação de indústrias de processamento de milho completas, com a possibilidade de fazer muitos produtos, tanto para consumo humano como subprodutos para ração animal. Neste caso a unidade de produção de etanol entra como um complemento. Em outras palavras, produz-se etanol quando as margens justificarem. Assim era nos Estados Unidos até 2000 e pouco, quando ADM e Cargill anexaram a suas unidades de processamento indústriais de etanol. Com a febre de investimentos de 2006 é que surgiram as “destilarias” independentes e que caíram na armadilha da grande queda dos preços a partir de 2008. O grande problema é que estas unidades de processamento de milho representam investimentos muito pesados e dependem da certeza de suprimento futuro da matéria prima.

Antonio Vicente disse:
04/02/2010

Paulo F de Siqueira Costa , falou e disse tudo, nada mais a acrescentar e ponto final.

Rodrigo Zobaran disse:
05/02/2010

Concordo com as colocações acima e aproveito para dar as boas vindas ao mestre Paulo Costa, profundo conhecedor do setor sucroenergético e do agronegócio de forma geral. Nós leitores do Agroblog fomos presenteados com a larga experiência deste profissional.
O milho em MT é a gata borralheira. Plantam por fatores técnicos, mas produtres aceitam qualquer alternativa para evitá-lo. Ontem estive numa fazenda que colhe 49 mil hectares de soja e contrariando as datas recomenadadas, planta a safrinha de algodão em pleno fevereiro. Segundo o agrônomo responsável, com alta produtividade e muito sucesso. Deve haver algum caminho para tornar o milho uma “cinderela”.

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