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17/fevereiro/2010 - quarta-feira

Coluna Semanal

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MILHO – Rodrigo Zobaran

Milho: alimento ou energia?

Classificar o milho como fonte alimentar ou como matriz energética é assunto para um polêmico debate. Nos comentários da semana passada, foi citada a necessidade de se produzir Etanol à partir de milho como forma de garantir o consumo do grão produzido no centro-oeste brasileiro.

Considerando que o Brasil e os Estados Unidos são líderes mundiais na produção de etanol, utilizando como matéria prima o açúcar e o milho, respectivamente, vamos comparar: o balanço de energia para converter o milho em etanol é negativo (1,29:1), ou seja, para cada 1 kcal de energia fornecida pelo etanol, gasta-se 29% a mais de energia fóssil para produzir o álcool, enquanto o balanço energético da cana é positivo (1:3,24), para cada 1 kcal de energia consumida para produção de etanol, há um ganho de 3,24 kcal pelo etanol produzido. Além disso, a cana produz três vezes mais álcool por área do que o milho. A cana gasta quatro vezes menos energia do que o milho, 1,6 bilhões de kcal para a cana contra 6,6 bilhões para o milho.

Alguma dúvida? Com certeza o prezado colega Paulo Costa tem muito a acrescentar.

Excelente como fonte alimentar

Do ponto de vista econômico, temos que levar em conta alguns equívocos na análise da cadeia produtiva do milho. Na verdade não produzimos excedentes. Temos uma demanda interna arrefecida pela crise financeira mundial, responsável por abalar de forma contundente a avicultura e suinocultura nacional. Além disso não consolidamos o nosso papel de fornecedores de milho para o mundo.

Os caminhos naturais para a melhoria estrutural da cadeia produtiva do milho está distribuída entre os diversos elos, desde a lavoura até o consumidor final. No campo, precisamos investir em tecnologia como forma de levar a produtividade brasileira para níveis argentinos e norte-americanos, para assim termos um custo por tonelada mais competitivo no mercado internacional. A infra-estrutura logística é outro ponto crítico conhecido por todos nós. Há quatro anos atrás, consumidores do estado de São Paulo nem cogitavam consumir milho de regiões longínquas como Ipiranga do Norte, Nova Mutum, Sorriso ou Campo Novo dos Parecis. Mas as melhorias dos acessos rodoviários nestas regiões trouxeram grandes praças produtoras para o mapa nacional.

Então chego a conclusão que produzir Etanol a partir do milho seria “remar contra a maré”.

Vale lembrar que o milho mato-grossense esteve por muitos anos dependente da intervenção do governo e seus métodos paliativos e pouco eficientes de garantia de preços mínimos. Nesta safra, o sistema convive sem o governo e assim forçadamente estabelece canais que devem perenizar a demanda pelo milho mato-grossense, que apesar dos baixos índices de produtividade, possui uma qualidade reconhecida dentro e fora do nosso país.

Esta semana começa com as cinzas do carnaval e deve mostrar pouca volatilidade nos preços. Com certeza deve haver uma corrida de consumidores para recompor os seus estoques abalados pela alongada festa brasileira. As tarifas de frete não dão trégua e já atingem níveis 25% maiores do que no mesmo período do ano passado. A novidade altista mais imediata para o mercado seria a divulgação de uma agenda de leilões do governo, esperada por muitos para depois do carnaval, afinal hoje é de fato o primeiro dia de 2010.

Uma boa semana a todos.

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4 Comentários para "MILHO – Rodrigo Zobaran"
roberto helcer disse:
17/02/2010

Prezado Rodrigo, sinto discordar de você quando fala que não temos excedentes de milho no Brasil. Se não tivessemos excedentes, não estariamos com os silos abarrotados e preços abaixo do custo de plantio. Mesmo se triplicassemos a produção animal, ainda sobraria muito para exportação.

Rodrigo Zobaran disse:
17/02/2010

Caro Roberto. Confesso que é impossível negar a presença de excedentes de milho em nossos estoques. Eu na verdade quero ressaltar que não estamos produzindo muito, e sim escoando pouco. Não podemos nem pensar em reduzir área de milho, pois a fábrica (terra, maquinário e recursos humanos) estão disponíveis e não podem parar. Temos que consolidar a exportação e para isso volto a defender um ponto que considero crucial no centro-oeste, que é a profissionalização da produção de milho safrinha, para que os índices de produtividade sejam melhorados e os custos de produção por tonelada reduzidos.

roberto helcer disse:
17/02/2010

Prezado Rodrigo, planto no sudoeste de São Paulo com alta tecnologia. Produzo em torno de 180 sc/ha. O preço de mercado em minha região é de R$15,00 e não consigo ver margem de lucro. Podemos ter uma pequena margem na safra, mas não consigo manter as despesas fixas durante o ano. Isso ainda, sem contarmos os aumentos dos insumos que para fazermos a reposicão para a próxima safra, sairão mais caros. Vejo que se a safrinha for bem, teremos ainda mais exedentes os quais trarão preços ainda menores de mercado. Concordo que o agricultor não tem saída e que tem que manter a máquina funcionando e que a única solução seria a abertura do mercado externo. Ainda digo que a safrinha é um plantio de “risco” e que é preferivel plantar com menos tecnologia e colher menos, do que gastar mais para produzir e não ter o risco de se colher menos ou até perder. Para se produzir bem o milho, é necessário água e não adianta adubar mais que não será correspondido nas proporções investidas, a não ser que as condições climáticas sejam perfeitas. Há 20 anos atrás, com produção, comprávamos mais terras, hoje mal pagamos os custos. Eu entendo que os patamares mudaram, mas o que não pode e serem inviáveis…

Antonio Fernandes disse:
18/02/2010

Caro Rodrigo,
É impossível não reduzir área de plantio, uma vez que os atuais preços, mal remunera os custos de produção, ainda porque o clima foi perfeito, senão nem os custos remuneraria. A cada ano o plantio na região centro-sul vai ficando mais inviável, pois não conta com nenhum mecanismo do governo. Estamos vendendo milho abaixo do preço mínimo e ninguem cogita em nada de PEP, PEPRO, EGF, AGF, etc. Gostaria apenas de alertar para o problema do abastecimento estar cada vez mais dependente da produção da 2ª safra, e esta ser vulnerável à condições climáticas. Parece ainda não ser este ano, mas o ano em que as condições não forem favoráveis para a produção da SAFRINHA, com certeza teremos sérios problemas no abastecimento, uma vez que a tendência é reduzir ainda mais a área de plantio do centro-sul.

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