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07/setembro/2010 - terça-feira

Coluna Semanal

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SOJA – Ricardo Lorenzet

Fluxo!

Mercado de soja volátil na última semana.

Após um início pressionado ainda pela questão sazonal e a ausência chinesa no mercado norte-americano (chineses protelam compras na expectativa de prêmios ainda melhores nas próximas semanas e também pelo fato de que a capacidade de embarque nos EUA esta tomada até o final de novembro), a soja voltou a encontrar sustentação na segunda metade do período refletindo essencialmente a movimentação do mercado de grãos.

Com a evolução da colheita do milho, os reportes de produtividade das áreas ao centro-sul e leste da região produtora norte-americana estão, de uma forma geral, ficando abaixo das expectativas dos produtores. Na prática, este cenário reflete a escassez de umidade em algumas áreas, mas também (se não principalmente) as temperaturas noturnas elevadas registradas no decorrer do desenvolvimento do milho nos EUA, que naturalmente estão associadas a um menor potencial produtivo à cultura. Com isso, estimativas privadas norte-americanas sinalizam potenciais de produtividade significativamente inferiores ao estimado pelo USDA até o momento.

Se não bastasse a incerteza com relação a oferta, a quebra da safra de grãos na região do mar negro vem resultando, como já amplamente noticiado, em forte valorização do mercado de trigo e, com isso o deslocamento de parte da demanda para alimentação animal deste para o milho e, como resultado um maior fluxo de exportações nos EUA.

Mas e ai? O que há a soja com isso? Rapidamente poderíamos pensar que o farelo de soja, também é substituto como fonte protéica ao trigo na produção de rações, ou que, se houve quebra na safra de grãos na Europa/Mar Negro, isto invariavelmente também teria ocorrido com as safras de oleaginosas na região, como girassol e canola e, com isso um maior potencial de demanda para a soja. Efetivamente a análise procede. O aspecto, porém, que age como pano de fundo a este cenário todo resume-se ao fluxo especulativo.

O mercado volta a comentar sobre o risco de uma nova onda de”AgInflation”. Efetivamente é cedo para qualquer conclusão a respeito disso em meio a um mercado dominado por emoções e por grandes agentes com um bom dinheiro na mão. De qualquer forma, é cada vez mais redundante o quão tênue constitui-se o equilíbrio de oferta e demanda nos mercados agrícolas, mesmo naqueles que, em primeira instância sinalizem um cenário mais confortável como fora o caso do trigo a alguns meses atrás.

Com isso, retornando a soja, cautela é preciso com a percepção de que os estoques de soja norte-americanos registrarão uma recuperação superior a 100%, ou que os estoques globais estão em patamares confortáveis. Isto é fato, sem dúvida. Porém, quando associa-se o potencial de uma safra nos EUA levemente inferior ao estimado até então pelo USDA, o risco climático à safra sul-americana (La Niña), a expectativa de uma demanda global aquecida (provavelmente a ser revista a frente) e a briga por área nos EUA 2011/12, conclui-se que a cautela em pressionar as cotações tende a persistir a frente. É isso que sinalizam os grandes gestores de fundos, ao menos neste momento. Até que o fluxo especulativo permanecer inundando o mercado de commodities agrícolas, melhor não nadar contra a maré.

Abraço a todos, boa sorte e bons negócios!

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