27/julho/2010 - terça-feira
Coluna Semanal
Jamais subestime a força de um gigante
É repetitivo, é algumas vezes chato, mas referir-se ao mercado de commodities sem mencionar estas 5 letras C-H-I-N-A é como esquecer o título de um artigo. Quando se analisa o mercado de soja então, não referenciar o dragão asiático é mais que o título, esquecer de 50% do texto. Esta é a nossa realidade e, queiram ou não, esta não irá alterar-se no curto prazo e, muito menos no médio prazo. Mais uma vez dito isso, vamos as minúcias.
Depois de duas semanas consecutivas assimilando forte presença compradora de fundos, que elevaram os preços para os patamares mais elevados desde abril, a soja registrou maior volatilidade nos últimos dias.
Embora problemas localizados em áreas a oeste do cinturão produtor norte-americano, que enfrentam um quadro de excesso de umidade e, lavouras do Delta do Mississipi que registram umidade mais restrita, de uma forma geral, a cultura da soja nos EUA registra boas condições de desenvolvimento neste momento. Este cenário associado a um quadro técnico (configurações gráficas) mais negativo desencadeou a realização de lucros, por parte especialmente de fundos, nos últimos dias.
Sem surpresas no que tange ao potencial produtivo das lavouras nos EUA, e o consequente impacto deste cenário sobre o quadro de oferta e demanda global, poderíamos esperar um mercado de soja mais pressionado. Porém, mais uma vez (dentre tantas) emerge a grande potência asiática com um ritmo frenético de compras para a safra nova nos EUA alimentando a percepção de que, esta demanda insaciável não permite qualquer risco real ou imaginário a produção global. Com indicações de um verão mais seco na América do Sul, o mercado entende que uma produção normal nos EUA, nada mais é do que necessário para manter os consumidores confortáveis nos próximos meses.

Com as recentes compras asiáticas no mercado norte-americano, para embarque da safra nova, o mercado volta a especular sobre a característica inerente do USDA em subestimar a demanda externa nos EUA antes do início efetivo do ano safra. De acordo com o gráfico ao lado, nos últimos 10 anos, em 8 deles a estimativa de exportações de soja pelos EUA no ano agrícola fora superior no final do ano-safra em relação as estimativas iniciais.
Neste ano-safra especificamente, o maior volume de compras nos EUA em relação ao registrado no mesmo período do ano passado, além de refletir a demanda firme pela China (cujas importações totais em 2010/11 ficarão distantes dos 50 mi/t atualmente projetadas pelo USDA), decorre de uma maior competitividade da soja norte-americana, seja pelo dólar relativamente mais fraco, prêmios mais baixos e fretes marítimos mais baratos. Como referência, o volume de soja comprometida pelos EUA para embarque na safra nova totaliza 7,4 mi/t, um recorde histórico para o período conforme o segundo gráfico abaixo. Isto corresponde a quase 20% do fluxo externo total projetado para a safra 2010/11.

O mercado de soja, assim como as demais commodities, tende a continuar contextualizando um processo de alteração no padrão de preços de médio prazo. Mesmo na soja, em que a produção tem se recuperado sensivelmente nas últimas safras, o equilíbrio entre a oferta e a demanda global é mais tênue do que parece e isto tende a atuar como um fator de sustentação aos preços em patamares sensivelmente superiores as médias históricas. Obviamente entre uma tendência e outra estabelecem-se outras intermediárias, como diria o próprio Elliot ao desenvolver sua teoria de ondas gráficas no início do século XX. Ao produtor basta apenas estar preparado para beneficiar-se dos momentos favoráveis como vivenciamos nos últimos dias. Lembre-se, sempre que a bandeja passa e por mais que se possa esperar que ela torne a passar, estar sempre bem alimentado (leia-se também protegido neste caso) não faz mal a ninguém.
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do código penal. Conheça a Lei 9610.













2 Comentários para "SOJA – Ricardo Lorenzet"
Quero dar os parabéns pela matéria e pelo Blog…
Estou acompanhando suas matérias a algum tempo e gostaria de entrar em contato diretamente com você para esclarecimentos sobre assuntos relacionados a sua área. Sou recém formado em Agronomia e estou terminando a faculdade de Adm de Empresas e pensando futuramente em uma Pós Graduação em MBA em Agronegócios e gostaria de conversar com vc a respeito disso.
Prezado Ricieri!
Entramos em contato por e-mail!
Abraço
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